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Ele largou o emprego, criou uma startup e agora trabalha viajando

Logotipo do(a) Exame.com Exame.com 22/10/2017 Mariana Desidério

O empreendedor Ian Borges, dono da Leadwise e nômade digital © Divulgação O empreendedor Ian Borges, dono da Leadwise e nômade digital

São Paulo – Largar o emprego das 9h às 18h e sair para conhecer o mundo. Quem nunca sonhou com isso? Pois o empreendedor Ian Borges foi além do devaneio e transformou o sonho em realidade. Após dez anos numa grande empresa, ele largou tudo, abriu uma startup e hoje trabalha de forma remota. Aos 30 anos, já conheceu 50 países.

“Eu sempre fui apaixonado por viagens, mas tinha que restringi-las aos 30 dias de férias por ano. Com essa mudança de vida fiquei completamente livre para aproveitar novas experiências”, afirma.

Borges conta que trabalhou por dez anos na L’Oreal numa carreira que o levou ao cargo de diretor com apenas 28 anos. Até que, numa viagem de férias, ele foi visitar um primo no México e lá eles conversaram sobre um projeto com o empresário brasileiro Ricardo Semler, conhecido por ter implementado um modelo de gestão inovador em sua empresa, a Semco, ainda na década de 1980.

O novo projeto envolvia futuro do trabalho e novos modelos de gestão. “Meu primo perguntou se eu conhecia alguém que tinha interesse no assunto e eu disse que sim: eu mesmo. Voltei para o Brasil e pedi demissão”, lembra.

Borges tornou-se sócio de Semler e em maio de 2016 nascia a Leadwise, uma empresa que oferece formação para gestores e líderes interessados em implementar um modelo de gestão mais horizontal e transparente em suas empresas.

A startup trabalha exclusivamente com cursos online e está baseada na ideia de transformar o conceito de trabalho hierárquico que predomina nas empresas para um modelo mais encorajador e colaborativo. “Queremos que as pessoas sintam vontade de ir trabalhar”, afirma Borges.

Em julho deste ano, a startup se uniu a outra empresa de Semler, o Semco Style Institute, uma escola focada em cursos presenciais de gestão inovadora. Fundado na Holanda, o instituto negocia expandir para Japão, Índia, África do Sul e Bélgica ainda este ano. A ideia é que a escola chegue ao Brasil em 2018.

Os cursos na Leadwise e no Semco Institute podem custar de 500 a 9.500 euros (de 1.800 a 35 mil reais, na cotação atual). Juntas, as duas empresas têm faturamento médio de cerca de 2 milhões de euros (ou 7,4 milhões de reais).

Com foco em gestão inovadora, nada mais coerente do que a própria Leadwise trabalhar de maneira de diferente. Segundo Borges, boa parte da equipe da empresa e do instituto trabalha de forma remota, assim como ele próprio, que se autodenomina um nômade digital. Juntas, as duas empresas têm 25 pessoas, sendo 12 fixas e o restante freelancers.

Vida de nômade

E como é a rotina neste nomadismo empreendedor? “Eu costumo viajar três meses e voltar para o Brasil para ficar um mês e rever família e amigos. Em geral tenho procurado conciliar destinos que me interessam pessoalmente com oportunidades de negócios. Agora, por exemplo, estou me preparando para passar um mês e meio na África do Sul, onde devemos abrir uma unidade do instituto”, conta.

Em suas viagens, Borges conta com a companhia de sua namorada Taíssa Souza, que largou um emprego como analista financeira e criou o site Bora Morar Fora.

Nos períodos de viagens, Borges muitas vezes precisa adaptar seu horário de trabalho conforme o fuso local. “Passei um período na Austrália, por exemplo, e lá eu em geral trabalhava das 4h às 11h”, conta.

Dentre as tarefas exercidas por ele estão reuniões via videoconferência e produção de conteúdo. A equipe da Leadwise costuma fazer, inclusive, um happy hour virtual. “Digo que o Zoom.us [uma ferramenta de videoconferência] é o nosso escritório. Fazemos tanto reuniões de trabalho quanto de descontração”, conta.

Para dar conta de um modelo de trabalho tão arrojado, Borges segue algumas regras fundamentais. Uma delas é sempre providenciar um bom pacote de dados em qualquer lugar em que estiver.

“Recentemente nós passamos um período viajando pela Itália com uma motor home, e em muitos campings onde parávamos não havia wi-fi. Então o pacote de dados é fundamental. Nessa viagem inclusive eu fiz uma reunião com o Japão, num camping, usando a internet do celular”, conta.

Borges garante que sua vida de nômade é bancada por sua atuação como empreendedor, e conta que seu orçamento mensal fica entre 10 e 20 mil reais.

Dicas

Ficou com vontade de levar uma vida como essa? A primeira dica de Borges, que também atua como coach, é encontrar um projeto em que você realmente acredita.

“Ter clareza de que é aquilo que você quer vai te ajudar a manter o nível de resistência para seguir em frente sempre que os perrengues aparecerem, porque eles com certeza vão aparecer.”

E depois disso? “Aí é dar o primeiro passo. A gente tem muito medo de sair da zona de conforto, temos muitos demônios internos. Mas quando se inicia esse processo, depois você olha pra trás com muito orgulho. Eu tenho muito orgulho de tudo o que vivi na L’Oreal, mas hoje minha vida é muito melhor.”

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