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Software 3D revoluciona a indústria imobiliária da China

Logotipo do(a) Forbes Brasil Forbes Brasil 12/04/2018 Ben Sin
Reprodução © Fornecido por Forbes Brasil Reprodução

Na região, aqueles que desejam possuir um imóvel maior têm de, primeiro, comprar o terreno para, então, construir sua morada

Nos últimos anos, a crescente classe média chinesa e sua vontade de gastar inflacionaram visivelmente o mercado imobiliário em grandes cidades ao redor do mundo. Mas, se em Los Angeles ou Hong Kong os compradores podem entrar em uma imobiliária e adquirir uma casa à vista, não há propriedades o suficiente na parte continental da China para uma venda tão imediata.

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Na região, aqueles que desejam possuir um imóvel maior têm de, primeiro, comprar o terreno para, então, construir sua morada. A prática ficou muito popular entre os chineses, atualmente os que mais projetam casas no mundo. Por isso, em breve, a China terá mais imóveis do que habitantes.

Chen Hang notou essa tendência há quase sete anos. Em 2011, ele trabalhava nos Estados Unidos como engenheiro de software para a Microsoft, mas percebeu que a enorme quantidade de chineses que passaram a construir suas casas pediria serviços de design e planejamento de interiores, em uma escala jamais vista em qualquer outro lugar.

“Nos EUA, as pessoas geralmente compram uma casa que já está pronta, tudo que elas têm de fazer é adquirir mobília nova”, diz Hang, agora com 32 anos. “Mas, na China, as pessoas passaram a comprar terrenos para, depois, construir as propriedades. Ou elas compram apenas o esqueleto da casa e têm de decidir quais tipos de material usar e onde construir cada cômodo.”

No fim de 2011, Hang retornou aos EUA e fundou uma nova companhia com o ex-colega de faculdade Victor Huang. Alguns meses depois, os dois convenceram Hao Zhu, outro ex-colega de sala, a também voltar ao país e se unir ao time. Mesmo com mestrado em ciência da computação e experiência em algumas das maiores empresas tecnológicas do mundo, o trio de empresários tinha uma ideia ambiciosa até para o seu patamar de habilidades: um projeto digital inédito na China. Em poucos meses, os três desenvolveram o protótipo de um software que permite que os usuários construam e planejem suas próprias casas, por meio da tecnologia 3D.

“Sabíamos que, com a grande adesão mundial aos aparelhos móveis, o software deveria ser usado online, por meio de um browser, e ser não algo que os usuários tivessem de baixar e instalar”, conta Hang. “Também sabíamos que a renderização de objetos 3D teria de ser rápida, e o resultado, semelhante ao ambiente real, senão as pessoas não usariam o programa.”

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Por isso, eles dedicaram mais algum tempo no aperfeiçoamento do software. Chen diz que a equipe trabalhava no projeto durante quase todo o tempo livre do dia, enquanto ainda tinha emprego fixo.

Em 2013, a primeira versão do programa ficou pronta. Os empresários usaram suas conexões na China para garantir financiamento de investidores como IDG Capital, e o site foi ao ar. Eles decidiram nomeá-lo Kujiale, que significa “casa legal” em mandarim.

Hoje, o Kujiale domina cerca de 70% do mercado de design de interiores na China. A companhia recentemente garantiu outra rodada de investimentos da Pavilion Capital, IDG e Hearst Ventures, entre outros financiadores.

Chen diz que, ainda hoje, mesmo com os 600 funcionários que trabalham na sede, em Hangzhou (China), ele e os dois sócios ainda dedicam muitas horas diárias para assegurar o bom funcionamento do software.

“Desenvolvemos nossa própria tecnologia de renderização de propriedades chamada ExaCloud, que gera imagens realistas como fotos em cerca de 10 segundos”, diz Hang. “É um software muito complexo, que exige modificações de código constantes.”

A companhia busca expandir para além da China. Hang afirma que o Kujiale irá chegar em Singapura e ao sudeste asiático primeiro e, depois, talvez, aos EUA, onde ele diz não ser fácil para uma companhia chinesa fazer negócios.

No momento, o software gera lucro com as assinaturas (os usuários podem usar o programa gratuitamente, mas é necessário pagar uma taxa para criar designs mais avançados) e com os pacotes corporativo. O empresário diz que a empresa tem explorado a publicidade e a receita dos canais de promoção da marca, como dar destaque aos produtos de uma empresa de decoração na lista de materiais, por exemplo. “Ainda trabalhamos nesse modelo, que ele já cresce”, diz Hang.

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