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Rede informal de solidariedade alimenta milhares durante pandemia no interior de SP

Logotipo do(a) Estadão Estadão 24/04/2020 José Maria Tomazela
Marmitas preparadas e distribuídas pelos comerciantes do shopping de Cotia © Poupa Shopping/Divulgação Marmitas preparadas e distribuídas pelos comerciantes do shopping de Cotia

Voluntários, empresas e instituições se mobilizam para arrecadar e doar alimentos a pessoas que, em função da pandemia do coronavírus, se tornaram mais vulneráveis em todo o Estado de São Paulo. As iniciativas estão atendendo diariamente milhares de pessoas, de moradores de rua a trabalhadores informais que ficaram sem remuneração, devido às medidas de isolamento social.

Em Bauru, o professor Huxley Ivens transformou sua casa em posto de arrecadação e preparação de alimentos para alimentar a população vulnerável, incluindo moradores de rua. “A gente faz isso há seis anos, mas agora, com a pandemia, o número de pessoas necessitadas dobrou. Para nossa felicidade, conseguimos a ajuda de muitos voluntários”, disse. Ele conta que vizinhos, comerciantes e pessoas desconhecidas vão à casa levar alimentos. As marmitas, preparadas na cozinha do imóvel, são levadas para os pontos de concentração de sem-teto, como a estação ferroviária.


Comerciantes e empresários do Poupa Shopping, fechado devido ao coronavírus em Cotia, decidiram usar a estrutura do local para produzir marmitas e distribuir aos moradores de rua da cidade. O empresário Marcio Zalk, autor da iniciativa, conta que ele começou comprando marmitas de um restaurante do shopping para entregar às pessoas necessitadas. “Divulguei em grupos de WhatsApp e logo apareceram outras pessoas dispostas a colaborar. Hoje estamos distribuindo 128 refeições por dia. Temos gente muito especial que nos ajuda a fazer as entregas”, disse.

Em Araçatuba, um grupo se juntou em torno do projeto ‘Unir sem Reunir’ para a coleta doações que são convertidas em cestas básicas. “Selecionamos alguns pontos da cidade onde as pessoas ficam responsáveis de receber as doações, geralmente levada de carro por moradores próximos. Quem prefere não se deslocar, também faz doação em uma conta corrente”, explica o estudante de medicina Vinicius Homsi Vieira, idealizador do projeto. As famílias que recebem as cestas são aquelas incluídas no cadastro social do município. O grupo já perdeu a conta de quantas cestas foram entregues. “Algumas centenas”, disse o estudante.

Em Paulínia, a Fundação Neemias reúne diariamente voluntários para preparar refeições completas – café da manhã, almoço e jantar – para 60 moradores de rua. Os alimentos são arrecadados no sistema drive-thru, em que os doadores se dirigem a um local determinado e entregam a doação sem sair do carro. No sábado (25), as entregas serão feitas no pátio da Igreja Batista Independente Pedra Viva.

Com as atividades suspensas, devido à pandemia, os funcionários da Apae de Penápolis decidiram arrecadar alimentos e preparar marmitas para 50 famílias assistidas pela associação. As cozinheiras se esmeram na variação do cardápio para adequá-lo às crianças e idosos assistidos. “A principal alimentação deles era na Apae. Como eles já não podem vir aqui, nós levamos o alimento até as famílias que mais precisam”, disse o voluntário e presidente da Apae, Ricardo Pellicia.

Marmitas preparadas e distribuídas pelos comerciantes do shopping de Cotia © Poupa Shopping/Divulgação Marmitas preparadas e distribuídas pelos comerciantes do shopping de Cotia

Dois policiais militares de Jardinópolis decidiram dar uma pausa no atendimento às ocorrências policiais para arrecadar cestas básicas para famílias carentes da cidade. Com produtos doados por moradores e comerciantes da cidade, os PMs Daniel Souza e Gabriel Felix fizeram a entrega das primeiras 18 cestas de alimentos nesta quarta-feira, 22. Em caráter excepcional, o comando local da Polícia Militar autorizou o uso de uma viatura para fazer a distribuição. As famílias beneficiadas estão na lista do serviço de assistência social do município.

Em São Sebastião, o Instituto Verdescola iniciou campanha para atender com cestas básicas famílias em condição de vulnerabilidade, incluindo barqueiros, caiçaras, ambulantes e famílias de alunos de seus programas educacionais. A primeira doação angariou suprimentos para 850 famílias. Conforme a fundadora, Maria Antonia Civita, as condições dessa população se agravaram desde a suspensão do atendimento presencial, dia 18 de março, devido à pandemia. As cestas têm 33 itens, de alimentos a produtos de higiene. Cerca de 30 pessoas se mobilizaram para a entrega, com logística para evitar aglomeração. O Instituto também fez parceria com o projeto Prato Feito para fornecer refeições a funcionários de postos de saúde e comunidades do município.

As concessionárias de rodovias do Estado de São Paulo já distribuíram cerca de 100 mil marmitas e kits alimentação aos motoristas de caminhão desde o início da pandemia. A iniciativa surgiu depois que esses profissionais, responsáveis pelo transporte de produtos essenciais, como produtos alimentícios e de uso médico, passaram ter dificuldade com a própria alimentação, devido ao fechamento dos restaurantes rodoviários.

As ações voluntárias reforçam os programas que muitas prefeituras já desenvolvem para garantir alimentação a pessoas vulneráveis durante a pandemia. A de São José do Rio Preto informou que vai distribuir 7.500 cestas em 90 dias. Famílias de 15 mil crianças matriculadas na rede municipal estão recebendo pães, frutas e legumes. Em Ilhabela, o município já distribuiu 400 cestas básicas a famílias vulneráveis. Em Sorocaba, a prefeitura entregou 9.453 cestas desde o início da quarentena, após iniciar campanha de arrecadação de alimentos.

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