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Brasília quer comprar 1 milhão de testes rápidos de coronavírus

Logotipo do(a) Poder360 Poder360 23/06/2020 Douglas Rodrigues
Profissional de saúde mostra resultado negativo em teste chinês aplicado em drive-thru, em Brasília. Ao fundo, o Estádio Mané Garrincha © Sérgio Lima/Poder360 Profissional de saúde mostra resultado negativo em teste chinês aplicado em drive-thru, em Brasília. Ao fundo, o Estádio Mané Garrincha

O governo de Brasília quer comprar 1 milhão de testes rápidos sorológicos de coronavírus para os próximos 12 meses ao custo máximo de R$ 134,3 milhões. Feito a partir de uma amostra de sangue colhida de uma picada no dedo, esse tipo de exame não detecta o vírus em si. Identifica se a pessoa já teve contato com o coronavírus e produziu anticorpos há, pelo menos, mais de 7 dias. Ou seja, pode levar a população a ter uma falsa sensação de segurança e ao comportamento de risco se o exame for feito no momento errado e se as pessoas tiverem má orientação.

O pregão eletrônico da compra foi publicado na 3ª feira anterior (16.jun.2020) no Diário Oficial do Distrito Federal. As propostas devem ser entregues até está 4ª feira (24.jun.2020). De acordo com o edital (íntegra-70kb), os materiais poderão ser utilizados em amostras de sangue.

O pregão será na modalidade de registro de preço, definindo que seja pago à empresa vencedora somente o quantitativo utilizado ao longo do contrato. Ou seja, até R$ 134 por exame, caso todo sejam utilizados.

“O valor de R$ 134 milhões é estimativo, pois espera-se ainda que haja concorrência e economia no pregão, já que várias empresas poderão concorrer e a compra engloba um grande volume de testes”, disse o subsecretário de Administração Geral, Iohan Struc.

Até o momento, o governo de Brasília comprou 339 mil testes de coronavírus, ao custo de R$ 58,6 milhões. Foi fechado o contrato com 6 empresas. Os preços variam de R$ 140 a R$ 199 por exame, tendo como valor médio R$ 173. A maioria é da China, principal exportador do produto.

Lá fora, os testes rápidos custam cerca de US$ 10 (R$ 52 na cotação atual). O valor chega ao Brasil nos patamares atuais porque há grande demanda pelo produto. Diversas empresas faturam alto no decorrer da importação. Normalmente, nessa cadeia, há o fabricante, o importador, o vendedor e o consumidor final, como os governos locais e empresas.

Para o presidente da CBDL (Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial), Carlos Eduardo Gouvea, os preços dos exames no Brasil estão começando a cair e testes de maior qualidade estão ficando mais populares no mercado.

“Esse modelo, que é 1 pouco estranho ao mercado tradicional de saúde, prosperou nesses últimos 2 meses. De tal forma que foi 1 negócio, muitas vezes, sem controle, sem a documentação adequada e até culminou em prisão de secretários de saúde. Isso explica 1 pouco os preços muito altos. O teste rápido, de fato, chegou no atacado a quase R$ 200 por teste. Todos esses negócios estão saindo do mercado. O preço está caindo. Hoje você já fala de R$ 80, R$90 para grandes volumes”, disse Gouvea, que ajuda no programa de validação de kits de coronavírus.

Além dessas compras, o governo local recebeu 145,6 mil testes rápidos sorológicos e 60.000 kits para testagem RT-PCR do Ministério da Saúde. Também ganhou 1.000 testes rápidos da empresa Brasal, da marca chinesa MedTeste.

Entenda os tipos de testes

A maioria desses testes rápidos são do tipo sorológico. Para realização do exame, só precisa de uma gota de sangue. Demora 10 a 15 minutos para sair o resultado. O produto busca os anticorpos IgM e IgG no corpo humano – a resposta imunológica do organismo em relação ao coronavírus há (pelo menos) 7 dias da presença dos sintomas.

Ou seja, 1 resultado negativo não invalida o contágio. O paciente pode estar com o vírus no corpo, contaminando outras pessoas, e ter 1 falso negativo porque o corpo não produziu anticorpos suficientes para o exame detectar.

Esse tipo de teste apresenta uma margem de erro considerável. Os modelos usados na capital têm sensibilidade (capacidade do teste de identificar corretamente os indivíduos que possuem anticorpos) na faixa 85% – percentual recomendado pela Anvisa.

Teste chinês da Livzon, comprado pelo governo de Brasília © Breno Esaki/Agência Saúde Teste chinês da Livzon, comprado pelo governo de Brasília

Para a testagem em massa e o rastreio do vírus, especialistas e a Organização Mundial da Saúde recomendam exame RT-PCR, o único teste capaz de detectar a presença do novo coronavírus durante a infecção. Ele verifica a presença do RNA (ácido ribonucleico) do vírus. É feito a partir da coleta de mucosa do nariz e da garganta com uma haste flexível (cotonete). Identifica até os assintomáticos nos primeiros dias da doença. O ponto negativo é que o resultado demora muitas horas (de 24h a 72h, a depender do local do exame).

Países que se destacam na forma de conter a pandemia, como a Alemanha e a Coreia do Sul, fizeram testagem em larga escala esse modelo. Foi testado pessoas em grupo de riscos e foi feito o rasteio de pessoas que tiveram contato com contaminados.

Em entrevistas à imprensa, o governo de Brasília afirma que os kits rápidos sorológicos são importantes para saber o percentual de imunizados na sociedade. Alega que isso ajuda a traçar metas para planejar ações de saúde pública. Diz ainda que para realização do exame é necessária uma avaliação médica, que poder indicar a realização de 1 exame extra (PCR) em casos suspeitos.

Além dessas imprecisões, a estratégia de teste em massa pode confundir a população. O Poder360 ouviu relatos de pessoas que fizeram os exames e não receberam as orientações adequadas de que os exames podem apresentar falsos negativos. Muitos que fizeram a testagem comemoraram o resultado negativo, sendo que o exame não revela se a pessoa está com o vírus e, sim, se já teve contato com ele.

Até 6ª feira, a Secretaria de Saúde já realizou, nos regimes de drive-thru e itinerante, 240 mil testes para diagnosticar o coronavírus. Destes, 15.282 tiveram resultado positivo (6,5% do total). Ao todo o DF registrou 34.148 casos de covid-19 e 449 mortos (1,4% do total). Eis a íntegra (435 kb)

Alguns especialistas argumentam que os exames sorológicos rápidos serão necessários apenas depois do pico da pandemia, quando mais pessoas tiverem sido contaminadas para controle, como uma forma de entender a epidemia ,

É o caso da microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência . “Você pega relatos das pessoas que saindo dos estacionamentos onde tem o mutirão e falando ‘graças a Deus deu negativo’. Essa pessoa pode está contaminada com o vírus e transmitir o vírus nesse momento em que ela fala “graças a Deus. Porque não é isso que esse teste mede. O teste não consegue dizer se ela está com o vírus ou não”, falou ela ao Poder360 em abril. “A única coisa que a gente pode usar para dizer que o vírus está lá é o teste molecular.”

Abaixo, assista a 1 vídeo feito em abril explicando como funciona o modelo de testagem drive-thru em Brasília:

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