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“Chicana jurídica” não apaga fatos contra Lula, diz Mourão

Logotipo do(a) Poder360 Poder360 09/03/2021 Murilo Fagundes
O vice-presidente Hamilton Mourão em evento no Palácio do Planalto; nesta 3ª feira, comentou a decisão do ministro Edson Fachin sobre o ex-presidente Lula © Sérgio Lima/Poder360 29.abr2020 O vice-presidente Hamilton Mourão em evento no Palácio do Planalto; nesta 3ª feira, comentou a decisão do ministro Edson Fachin sobre o ex-presidente Lula

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta 3ª feira (9.mar.2021) que deve-se esperar todas as “consequências e decorrências” da anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato para se analisar um futuro cenário eleitoral no Brasil.

“Tem muita espuma nesse chope ainda, tem que ser decantado isso. Tem muita gente fazendo análise prospectiva por mera extrapolação de tendência, porque não se faz análise prospectiva assim”, disse a jornalistas no Palácio do Planalto. E completou: “Então tem que esperar todas as consequências e decorrências, tem muita coisa ainda para rolar”.


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin determinou nessa 2ª feira (8.mar) a anulação de todas as decisões tomadas pela 13ª Vara Federal de Curitiba nas ações penais contra o ex-presidente Lula.

Leia a íntegra (369 KB) da decisão e a íntegra (452 KB) da nota do gabinete de Fachin sobre a decisão.

Na avaliação do ministro, as ações não poderiam ter corrido em Curitiba porque os fatos apontados não têm relação direta com o esquema de desvios na Petrobras. O relator da Lava Jato no STF devolveu os direitos políticos de Lula, que fica liberado para concorrer à eleição presidencial em 2022.

“Independente da chicana jurídica que seja feita, de anular processo, anular prova, a realidade é o seguinte: contra fatos, não há argumentos. Então é isso que a gente vai aguardar que aconteça no futuro”, disse o vice-presidente.


MOURÃO COMENTOU HIPÓTESE HORAS ANTES

Na manhã de 2ª feira (8.mar), o vice-presidente da República comentou a possibilidade de o ex-presidente disputar o pleito em 2022. “Tem muita água até lá, e o ex-presidente Lula não pode ser candidato, né? Então, é assunto que é só especulação”, disse.

Mourão ainda afirmou: “Acho difícil anular as duas condenações que ele tem. Uma foi até a 3ª Instância, a outra até a 2ª Instância, acho complicado. Pode haver parte do processo talvez, um deles ser anulado e o outro não”.

Horas depois da declaração do vice-presidente, Fachin tomou sua decisão.


Correlação de forças para 2022

O relator da Lava Jato no STF devolveu os direitos políticos de Lula, que fica liberado para concorrer à eleição presidencial em 2022 caso a decisão de Fachin seja mantida –o que é mais provável. Nesse cenário, as forças políticas terão de passar por um realinhamento:

  • esquerda – vários partidos que buscavam nomes para a corrida presidencial (PSB, PC do B e outros) agora podem aderir ao projeto Lula;
  • PT em seu labirinto – o partido sonhava em finalmente se renovar. Nomes como o moderado governador da Bahia, Rui Costa, eram apresentados como possíveis candidatos para que sigla abandonasse seu paulicentrismo (com Fernando Haddad). Agora, se Lula estiver ficha-limpa e disposto, a vaga será dele. O PT nasceu em 1980 e completará mais de 40 anos prestigiando apenas um único líder;
  • Ciro Gomes – Lula é seu maior pesadelo. Com o petista candidato, Ciro verá o ex-presidente abduzindo seus potenciais eleitores do centro para a esquerda
  • Centro e outsiders – entidade que não existe (exceto na retórica), o “centro” também fica espremido entre o presidente Jair Bolsonaro e Lula. Em 2018, Geraldo Alckmin (PSDB) sentiu essa pressão e terminou com 4,76% dos votos. Outsiders da política, como o apresentador Luciano Huck, terão dificuldades para acumular forças e empinar uma candidatura;
  • PSDB e João Doria – os tucanos, que também se apresentam como “de centro”, acabam emparedados pelo cenário polarizado entre Bolsonaro e Lula. O governador de São Paulo terá de refletir com muito cuidado a respeito de suas chances para encontrar, como se diz hoje, um “lugar de fala” nessa disputa. Na noite dessa 2ª feira (8.mar.2020), Doria ensaiou seu discurso com 3 termos-chave: “radicais”“polarização” e “extremistas”.

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