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Sem chegar ao patamar do ano passado, doações voltam a crescer no pior momento da pandemia

Logotipo do(a) Estadão Estadão 26/03/2021 Paula Reverbel

A onda de doações de dinheiro, bens e serviços que começou há cerca de um ano – no início da pandemia – voltou a crescer em março de 2021, de acordo com a Associação Brasileira de Captadores de Recursos, instituição que mantém o Monitor das Doações Covid-19. Segundo o diretor executivo da entidade, João Paulo Vergueiro, o número de pessoas físicas que estão fazendo contribuições, principalmente em sites de vaquinhas, vem aumentando em comparação com o final do ano passado.

Dados do monitor mostram que a média diária de doações foi de R$ 300 mil em novembro e R$ 1,77 milhão em dezembro. Ja em março de 2021, a média é, até agora, de R$ 1,87 milhão. O volume ainda não se compara ao de abril de 2020, quando o índice ultrapassou R$ 108 milhões.

Embora os valores estejam distantes do patamar de 12 meses atrás, as doações estão em alta, acompanhando o recrudescimento da pandemia no Brasil. “O mês de março tem o maior número de contribuições desde outubro”, explicou Vergueiro, acrescentando que há um paralelo claro entre a piora das notícias a partir de janeiro e o aumento da solidariedade.

No Brasil, as pessoas também vêm procurando mais orientações na internet sobre como fazer uma contribuição. As pesquisas feitas com os termos “como doar” crescem 54% em março na comparação com fevereiro, de acordo com dados do Google Trends. Dentre as buscas feitas usando essas palavras, a pergunta mais elaborada – “Tem gente com fome, como doar?” – teve crescimento de mais de 50 vezes nos últimos 7 dias, em comparação com a semana anterior.

Também houve aumento de 30% nas consultas sobre cestas básicas, seja para doar ou para receber.

O Google Trends revela ainda que algumas instituições e iniciativas específicas estão em alta. Há crescimento do número de pessoas pesquisando como doar para a Central Única das Favelas (Cufa) e para a campanha Band contra a Fome.

O Monitor das Doações Covid-19 já contabilizou um total de 582.093 doadores que arrecadaram R$ 6,65 bilhões em resposta ao coronavírus desde março do ano passado, sendo que a maior parte é composta de pessoas físicas participando de vaquinhas online. O montante doado por empresas, no entanto, ainda compõe a esmagadora maioria do volume doado: cerca de 85%, já que os valores destinados por companhias foram muito expressivos em 2020.

Ainda de acordo com Vergueiro, algumas campanhas coletivas de arrecadação foram feitas em resposta a causas específicas, como a crise da falta de oxigênio no Amazonas, em janeiro. O monitor reúne informações publicadas em jornais, divulgadas em sites de crowdfunding e postadas em sites de empresas doadoras.

Estrutura. Embora ONGs especializadas no combate à miséria e na distribuição de cestas básicas estejam soando o sinal de alerta, já que o volume doado ainda não alcançou o do ano passado, algumas entidades já contam com toda a estrutura necessária para fazer a distribuição de alimentos. É o caso da Ação da Cidadania, que há 27 anos realiza a campanha Natal sem Fome e lançou em fevereiro uma campanha ininterrupta de arrecadação para distribuir cestas básicas para quem mais precisa, diante da pandemia. Entre março e dezembro de 2020, a instituição escoou 10 mil toneladas de alimentos, às vezes com ajuda de entidades como a Unicef e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O presidente da ONG, Daniel Souza, alerta que é preciso arrecadar mais alimentos e que a distribuição ainda está inferior à do ano passado.

“Estamos vivendo uma situação pior da pandemia, mas temos contado com a solidariedade de grandes empresas, dos artistas, da mídia. Apesar de o volume estar menor que no ano passado, a gente acredita que isso deve aumentar porque, afinal de contas, as pessoas estão vendo que a pandemia e a miséria estão piorando”, afirmou.

A Coalizão Negra por Direitos somou-se a Anistia Internacional, Oxfam, 324 Artes, Redes da Maré e outras organizações no combate à fome com a campanha Tem Gente Com Fome. Os valores são destinados à compra de alimentos para cestas básicas e kits de higiene para suprir 223 mil famílias em todo o País.

Artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Seu Jorge, Camila Pitanga, Zezé Motta e Zeca Pagodinho emprestaram suas vozes em vídeos que circulam pelas redes sociais pedindo doações para a campanha.

O nome da campanha é inspirado no poema Tem Gente com Fome, do poeta, teatrólogo e cineasta Solano Trindade. “Tantas caras tristes querendo chegar em algum destino, em algum lugar. Se tem gente com fome, dá de comer”, diz um trecho do poema.

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