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Simulação para rompimento de barragem em MG tem atraso e aviso sonoro com volume baixo

Logotipo do(a) Estadão Estadão 25/03/2019 Leonardo Augusto

Moradores de Barão dos Cocais, em Minas, fazem treinamento para o caso de rompimento de barragem na mina de Gongo Soco, administrada pela mineradora Vale © Leonardo Augusto/Estadão Moradores de Barão dos Cocais, em Minas, fazem treinamento para o caso de rompimento de barragem na mina de Gongo Soco, administrada pela mineradora Vale
BARÃO DE COCAIS - A Defesa Civil de Minas Gerais realizou nesta segunda-feira , 25, a primeira simulação da retirada de moradores de Barão de Cocais, onde uma barragem da mineradora Vale tem risco iminente de rompimento. O treinamento ocorreu após uma reunião com moradores realizada durante a manhã, em que o coordenador-adjunto da Defesa Civil, Flávio Godinho, tentou orientar a população sobre boatos que correm a todo momento na cidade sobre a ruptura da estrutura. Godinho disse que, caso alguém recebesse esse tipo de mensagem deveria ir para a porta de casa e, se um veículo da Defesa Civil não passasse em cinco minutos, a mensagem não era verdadeira.

A primeira passagem do carro da Defesa Civil, na região central de Barão de Cocais, anunciando o simulado ocorreu às 16h08. Às 16h02, carros das polícias civil e militar haviam passado pela região com sirenes ligadas.

A reportagem levou cinco minutos para chegar ao ponto de encontro mais próximo. São sete em toda a cidade. Ao longo do trajeto, agentes com coletes foram vistos. Ao perceberem moradores parados, pediam às pessoas que fossem ao ponto de encontro.

Segundo informações da Defesa Civil, em caso de rompimento da barragem a lama chegaria à cidade em 1h12 minutos. Na mensagem transmitida por caixas de som no veículo da Defesa Civil, uma gravação em áudio dizia: "este é um simulado de rompimento de barragem. Paralise suas atividades e siga para o ponto de encontro".

Hospedagem

Um total de 46 moradores com problemas de locomoção devem ser, caso concordem, encaminhados para hotéis da região, segundo o coordenador da Defesa Civil. Familiares desses moradores também estão autorizados a acompanhá-los.

A decisão foi anunciada após a realização do trinamento. "Em um momento de crise, com 1h12 minutos, dá para fazer, mas preferimos não correr o risco", disse Godinho.

Se todos aceitarem, cerca de 200 pessoas, ao todo, irão para hoteis na região, com custos que ficarão por conta da Vale. A Defesa Civil informou ainda que escolas próximas ao Rio São João, pelo qual a lama atingirá a cidade no caso de rompimento, serão transferidas para outros locais. "É para que os pais tenham tranquilidade", afirmou o representante da defesa civil.

Dos 6.054 moradores de Barão de Cocais que deveriam ter participado do simulado, 3626 compareceram ao teste, ou cerca de 60% do total. A primeira pessoa a chegar a um ponto de encontro levou 2 minutos para cumprir o percurso. A última a chegar fez seu trajeto em 10 minutos. Foram realizados 26 atendimentos médicos. Três pessoas tiveram que ser levadas para o hospital. Uma por queda de moto, outra por hipoglicemia e uma terceira por mal súbito.

Impressões

No ponto de encontro, moradores receberam um formulário de registro e com perguntas: "Hoje você ouviu a sirene tocar ou a mensagem do carro de som?"; "Você teve dificuldade de chegar ao ponto de encontro?"; "Você viu as placas de sinalização das rotas de fuga?"

Eny Soares, de 65 anos, aprovou a simulação. "É importante fazer isso. Para o povo entender. Tem gente que acha que não tem perigo", disse. Com dificuldade de locomoção, Raimunda Oliveira Soares, de 88 anos, também participou do simulado e disse que vai sair de casa, "mas só quando precisar".

Questionado sobre o tempo da passagem do carro de som, Godinho disse que erros que possam ter ocorrido serão sanados. "Vamos reunir com a equipe agora para ver o que deu certo e o que deu errado. E o que deu errado, vamos falar com vocês (imprensa). Não vai ficar só com a gente, não", afirmou.

"O simulado é para isso mesmo. É para detectar qualquer coisa que não deu certo e para que possamos melhorar", disse o tenente-coronel. Godinho declarou ainda ter saído "motivado" do teste. "Se acontecesse algo, teríamos tempo de sobra para tirar as pessoas. Lógico, não tivemos a adesão de 100%, mas dentro do possível foram várias pessoas que aderiram".

O prefeito de Barão de Cocais, Décio Geraldo dos Santos (PV), reclamou do som dos alto-falantes dos carros da Defesa Civil. "Foi pouco audível" afirmou. Santos afirmou já ter avisado a Vale e a Defesa Civil sobre o volume baixo.

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