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Retórica ambiental motivou mal-estar entre ministros Salles e Tereza Cristina

Logotipo do(a) Estadão Estadão 23/08/2019 Julia Lindner

BRASÍLIA - A postura do ministro Meio Ambiente, Ricardo Salles, já preocupava uma ala do governo semanas antes da crise ambiental na Amazônia ganhar repercussão internacional. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esboçava insatisfação com o discurso dele desde julho, mas evitou bater de frente com Salles para não contrariar parte da bancada ruralista que apoia o posicionamento mais radical.

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Segundo aliados, a ministra da Agricultura ficou insatisfeita com o trabalho de Salles por avaliar que ele começou a prejudicar negociações comerciais do agronegócio. Os atritos, de acordo com relatos, se intensificaram após a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia, em julho, que precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos países-membros, onde os representantes de partidos ambientalistas ganharam força nas últimas eleições.

Nos bastidores, Tereza Cristina chegou a dizer que Salles é "pouco maleável" e que a situação com ele "está difícil". Segundo pessoas próximas, a relação entre eles "esfriou" há alguns meses por causa das divergências sobre o discurso a ser adotado sobre questões como preservação de florestas e desmatamento.

No governo, a avaliação é de que Salles apenas reflete a visão do presidente Jair Bolsonaro sobre temas ambientais. Nas redes sociais, o ministro do Meio Ambiente manteve a postura de confronto diante da crise, com publicações contra Organizações Não Governamentais (ONGs), novos questionamentos a dados científicos e críticas ao presidente francês Emmanuel Macron, que pode colocar em risco o acordo Mercosul-UE.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro sinalizou apoio ao ministro do Meio Ambiente ao chegar ao seu lado na Cerimônia do Dia do Soldado, no Quartel General do Exército, em Brasília. Em discurso, Bolsonaro reforçou em mais de um momento que há "confiança mútua" entre ele e seus ministros

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