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Steve Jobs apelidou de 'Fezesbook' a rede social de Mark Zuckerberg

Logotipo do(a) Estadão Estadão 04/05/2021 Guilherme Guerra

Muito antes que Mark Zuckerberg e Tim Cook entrassem em rota de colisão sobre o destino da privacidade na internet, Steve Jobs, fundador da Apple, já tratava com desdém seus concorrentes no Vale do Silício. O Facebook não foi exceção.

Em 2011, Jobs teria chamado a rede social de Zuckerberg, então com menos de 900 milhões de usuários (ante os 2,5 bilhões de hoje) de "Fezesbook" (no inglês, Fecebook). A palavra foi encontrada em um e-mail que está sendo utilizado na batalha legal entre a Apple e a Epic Games, conforme revelado nesta terça-feira, 4, pelo canal de televisão americano CNBC.

O contexto da crítica de Jobs a Mark Zuckerberg, então com 26 anos de idade, era o fato de o Facebook não ter lançado um aplicativo dedicado para o iPad, lançado um ano antes. Segundo a rede social, a loja nativa da Apple, a App Store, não permitia que apps lá listados incorporassem em seu código aplicativos de terceiros.

No caso, o Facebook, investindo em jogos dentro da rede social, queria que seu app no tablet redirecionasse o usuário para apps que não passaram pelo crivo da loja da Apple, como o sucesso da época, Farmville.

Segundo os e-mails, de julho de 2011, o então diretor de software da Apple, Scott Forstall, escreveu ao diretor de marketing, Phil Schiller, e a Jobs que havia conversado com "Mark" (presumidamente Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook), avisando que não aprovaria o app da rede social, o que desagradou o jovem empresário. “Sem supresa alguma, ele não ficou feliz, pois considera esses apps como parte de ‘toda a experiência do Facebook’. Ele não tem certeza se eles devem fazer um aplicativo para iPad sem esses apps”, escreveu Forstall.

De acordo com o diretor de software, Zuckerberg afirmou que o Facebook poderia omitir um diretório de apps no seu aplicativo e poderia impedir que apps de terceiros rodassem em modo de navegador dentro do app do Facebook. Mas, em contrapartida, a Apple teria de permitir que os usuários do Facebook escrevessem sobre esses apps do Facebook no feed de notícias da rede social e que o usuário pudesse clicar no app e ser redirecionado para baixá-lo na App Store, para o navegador padrão do sistema (o Safari) ou para o próprio app, caso já estivesse instalado no tablet.

“Eu concordo. Se nós eliminarmos essa terceira proposta do Fezesbook, soa razoável”, escreveu Jobs em julho de 2011, então com 55 anos de idade e enfrentando o câncer de pâncreas, que o levaria à morte em outubro daquele mesmo ano.


Video: Apple X Facebook- mudança na privacidade do iOS irrita Mark Zuckerberg (Dailymotion)

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Três dias depois, Forstall retoma a conversa com os executivos da Apple e disse que teve uma longa conversa com Zuckerberg, na qual o Facebook não gostou de ter sua sugestão barrada. “Mas, de acordo com Mark, não há uma razão óbvia para distinguir entre um jogo de pôquer e o New York Times. Ambos são desenvolvedores do Facebook e estão integrados à plataforma”, escreveu.

Schiller encerrou a discussão: “Eu não vejo motivo para querermos fazer isso. Todos esses aplicativos não serão nativos, não terão um relacionamento ou licença conosco, não iremos aprová-los, não irão usar nossas APIs ou ferramentas nem as nossas lojas, etc.”

Em outubro de 2011, o Facebook chegou ao iPad com aplicativo nativo e jogos como Farmville integrados à plataforma, mas sem que os usuários pudessem comprar créditos diretamente no aplicativo — algo que, segundo a própria empresa afirmou durante o lançamento, estava de acordo com os termos de serviço impostos pela Apple.

O Facebook não se manifestou sobre a declaração de Jobs.

Futuro da App Store

Esses e-mails vêm à tona enquanto a Apple é julgada por suposto abuso de poder por concorrentes de diversas frentes, como Facebook, Spotify e Epic Games, e até governos, como a União Europeia, em ações que visam analisar se a gigante da tecnologia foi anticompetitiva ao forçar desenvolvedores a permanecerem na loja de aplicativos dos sistemas iOS e iPadOS e lucrar com essa obrigatoriedade.

Desde ontem, a Apple enfrenta uma batalha legal de três semanas contra o estúdio Epic Games, que apresentou esses e-mails à Justiça americana para defender seu caso diante das autoridades.

A Epic exige que a Apple abandone a cobrança de 30% sobre o que desenvolvedores ganham dentro dos aplicativos. Tentando evitar esse modelo, o estúdio de games lançou no ano passado um método de cobrança independente, que resultou no banimento do jogo Fortnite de todas as suas plataformas. A decisão acirrou ainda mais a disputa.

Para se defender das alegações de antitruste feitas pela Epic, a Apple argumenta que enfrenta concorrência abundante no mercado de transações financeiras em videogames.

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