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Moro sugere que Petrobrás 'compre' denúncias de corrupção

Logotipo do(a) Estadão Estadão 08/12/2017 Fernanda Nunes e Denise Luna

RIO - Juiz de primeira instância da Operação Lava Jato, Sérgio Moro sugeriu que a Petrobrás ofereça dinheiro aos funcionários em troca de denúncia de corrupção durante o 4.º Evento Petrobrás em Compliance, na sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro.

Moro: O juiz Sérgio Moro participa de evento do Dia Mundial de Combate à Corrupção, na sede da Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro © Fábio Motta/Estadão O juiz Sérgio Moro participa de evento do Dia Mundial de Combate à Corrupção, na sede da Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro

Outra ideia do magistrado é que uma equipe de sindicância interna acompanhe o modo de vida e patrimônio dos diretores e conselheiros, "não só no papel".

"Talvez fosse o caso de pensar em incentivos à atuação dos denunciantes, inclusive compensação financeira, desde que apresentada informação verdadeira, relevante, que através dela seja desbaratado esquema de corrupção. Ninguém deve enriquecer com isso, mas o incentivo deve ser oferecido para tirar as pessoas da zona de conforto", afirmou.

Em resposta, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, disse que estudará a melhor forma de tirar os denunciantes da zona de conforto e que buscará fazer um trabalho de inteligência para buscar possíveis enriquecimentos ilícitos de executivos.

"E vamos fazer um acompanhamento por palavras-chave e em tempo real dos emails dos empregados. Não é desprovido de uma certa polêmica. Isso pode dar uma ideia que ainda há um problema grande na empresa. Não é isso. É preventivo", acrescentou Parente, respondendo à terceira proposta de Moro, para que todos os temas de negócio sejam tratados exclusivamente por meio das ferramentas corporativas de correspondência.

Em palestra durante o evento, Moro ainda criticou o loteamento político da diretoria, que identificou como a "corrupção sistêmica" que tomou conta da Petrobrás durante anos. Em sua opinião, o atual presidente da companhia possui um currículo reconhecido, mas nada garante que o loteamento político da empresa não voltará a ocorrer.

"Há dúvida, até quando isso vai durar. Não existe sistema de compliance (governança corporativa) que funcione de forma efetiva se a liderança não estiver comprometida. O peixe começa a apodrecer pela cabeça", disse Moro. "Não sou especialista em compliance. Um juiz criminal cuida do aspecto patológico da corrupção. Mas é difícil para o sistema de compliance, muitas vezes, identificar os crimes", afirmou.

Moro não citou nomes, mas destacou que, na Petrobrás, um diretor substituiu outro porque o primeiro não conseguiu dar conta do recolhimento de propina exigido pelo partido. Embora os diretores não tenham sido identificados, os dois únicos condenados que viveram essa situação de revezamento de cargo foram Nestor Cerveró e Jorge Zelada, ex-diretores da área Internacional.

Para o juiz, a Lei das Estatais contribui para coibir a corrupção nas empresas públicas, mas, em sua opinião, as mesmas exigências impostas às empresas devem ser estendidas à administração pública direta, ou seja, ao Executivo e ao Legislativo.


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