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Embriões de tartaruga ajudam a determinar seu próprio sexo

Logotipo do(a) AFPAFP 01/08/2019 afp.com
Os embriões podem se mover dentro dos ovos para encontrar zonas favoráveis, onde não faz muito frio nem muito calor, o que desempenharia um papel importante na determinação de seu sexo © ULISES RUIZ Os embriões podem se mover dentro dos ovos para encontrar zonas favoráveis, onde não faz muito frio nem muito calor, o que desempenharia um papel importante na determinação de seu sexo

A temperatura dos ovos de algumas espécies de tartarugas determina se seus filhotes são fêmeas ou machos, uma característica que os cientistas temiam que pudesse levá-los à extinção devido às mudanças climáticas.

Mas uma equipe de pesquisadores da China e Austrália descobriu que os embriões podem se mover dentro dos ovos para encontrar zonas favoráveis, onde não faz muito frio nem muito calor, o que desempenharia um papel importante na determinação de seu sexo.

O estudo, publicado nesta quinta-feira (1) na revista Current Biology, descreve o mecanismo como uma proteção evolutiva contra a mudança climática que pode ter protegido estas espécies no passado.

"Nossa pesquisa mostra que um embrião de réptil não é apenas uma vítima passiva do aquecimento global, mas que, de algum modo, pode controlar seu futuro sexo", disse à AFP um dos coautores, Wei-Guo Du, professor da Academia chinesa de ciências.

Anteriormente, a equipe tinha demonstrado que os embriões dos répteis podem se mover dentro do ovo para se termorregular e quis saber se este comportamento tinha um impacto grande o suficiente para determinar o sexo.

Eles incubaram ovos de tartaruga de água doce sob várias temperaturas em condições de laboratório e determinaram que um único embrião pode experimentar uma variação de até 4,7 graus Celsius dentro de um ovo.

Uma mudança maior que dois graus pode alterar drasticamente a proporção entre os sexos de muitas espécies de tartarugas, com temperaturas mais altas levando a um desvio para as fêmeas.

Com capsazepina (um químico), os cientistas bloquearam os sensores de temperatura de metade dos ovos e deixaram a outra metade em condições normais. Eles descobriram que esses embriões sem termorregulação se desenvolveram como quase todos machos ou quase todos fêmeas, dependendo da temperatura de incubação.

Os embriões que puderam reagir à temperatura mudaram suas posições dentro dos ovos, e a proporção de sexos era quase igual.

"Isto poderia explicar como as espécies de répteis que determinam seu sexo por meio da temperatura sobreviveram a outros períodos na história da Terra em que a temperatura era mais alta que agora", disse Richard Shine, professor da universidade Macquarie da Austrália e coautor do estudo.

O controle dos embriões sobre seu destino sexual tem limites: quando as temperaturas médias nos ninhos eram muito altas ou muito baixas, os esforços do embrião não tinham impacto no sexo.

"(Isso) pode não ser suficiente para protegê-los da mudança climática muito mais rápida que atualmente é causada por atividades humanas", disse Du à AFP.

Mas ele acrescentou que as espécies podem ter algumas formas ainda não descobertas para compensar o risco, como colocar ovos no início de uma temporada ou em ninhos mais sombreados, o que será parte do foco de seus futuros estudos.

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