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Diários de viagem de Einstein têm observações racistas

Logotipo do(a) Newsweek Newsweek 13/06/2018 Ewan Palmer*
a man wearing a suit and tie © Provided by IBT Media

O cientista judeu Albert Einstein tinha ideias racistas, especialmente contra chineses. Foi o que a publicação de seus diários de viagem pela Ásia nos anos de 1920 mostrou.

Os escritos, que até hoje eram inéditos, foram publicados na editora da universidade de Princeton, um documento da viagem de cinco meses e meio do cientista na Ásia entre 1922 e 1923 para a China, Cingapura, Hong Kong e Japão, além de Palestina e Espanha.

A editora fala dos diários escritos à mão como descrições “esquisitas, sucintas e às vezes irreverentes” sobre assuntos que abrangiam ciência, filosofia, arte e política, revelando "ideias estereotipadas sobre os integrantes de várias nações, despertando questões raciais".

Em um trecho, citado inicialmente pelo jornal 'The Guardian', Einstein fala dos chineses como “acelerados, sujos e obtusos", mais tarde referindo-se a eles como uma “nação peculiar, semelhante a um rebanho… por vezes mais autômata que humana”.

"Seria uma pena se os chineses suplantarem todas as nações. Para gente como nós, esta simples ideia é indescritivelmente horrível”, ele acrescenta.

Em outra passagem, Einstein fala de como “os chineses não se sentam para comer, mas agacham-se como os europeus fazem quando se aliviam de cócoras no mato. Tudo isso acontece de maneira humilde e silenciosa. Até as crianças parecem ser inanimadas e obtusas”.

Este livro, chamado The Travel Diaries of Albert Einstein: The Far East, Palestine, and Spain, 1922–1923 (Diários de Viagem de Albert Einstein, Oriente, Palestina e Espanha) foi editado por Ze’ev Rosenkranz, editor e editor-assistente do "Einstein Papers Project", no California Institute of Technology.

Em entrevista ao Guardian, Rosenkranz admite que algumas passagens escritas por Einstein são “bem desagradáveis—especialmente o que diz sobre os chineses”.

“Elas estão um pouco em contraste com a imagem pública do grande ícone humanitário. É bem chocante confrontar estes escritos com as declarações públicas. No diário ele está de guarda baixa, não era para ser publicado”, diz o acadêmico.

Einstein tornou-se um cidadão americano em 1940, depois da conclusão de que seria impossível retornar à Alemanha com a ascensão do nazismo e de Adolf Hitler. O vencedor do prêmio Nobel notoriamente falou do racismo como uma "doença de homens brancos" em um discurso na Lincoln University, na Pensilvânia, em 1946.

Em um bate-papo sobre o projeto Einstein Papers para promover o livro, Rosenkranz declarou que a investigação dos escritos de personalidades públicas pode revelar fascinantes insights sobre suas personalidades.

“A intenção não é maliciosa, mas uma tentativa honesta de entender o que pensam estas celebridades. É algo especialmente pertinente no caso de Einstein, em que há uma discrepância grande entre a imagem pública e o verdadeiro indivíduo", ele explicou.

*Tradução de Hermano Freitas, da equipe do MSN Brasil 

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