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Manifestação reúne milhares de simpatizantes de candidata da oposição à presidência da Belarus

Logotipo do(a) RFI RFI 06/08/2020 RFI
© REUTERS/Vasily Fedosenko

Uma manifestação de apoio à candidata de oposição à presidência da Belarus, Svetlana Tikhanovskaya, rival do presidente Alexander Lukashenko, reuniu cerca de 5.000 pessoas na noite de quinta-feira (6) em Minsk, capital do país. Mais cedo, a diretora de campanha da oposicionista, Maria Moroz, foi detida por "agentes do Ministério do Interior", mas pouco depois foi liberada. O Ministério disse que Moroz foi "convidada para uma conversa" e negou a intenção de prendê-la.

Com a proximidade da votação, no domingo (9), os simpatizantes de oposição intensificam a mobilização. Eles se reuniram no jardim Kievski, na zona norte da capital da Belarus, apesar das tentativas da polícia de impedir a manifestação.

Tikhanovskaya, uma ex-professora de inglês de 37 anos, tinha previsto realizar um comício nesta quinta em um parque de Minsk, mas foi obrigada a abandonar a ideia quando soube que a prefeitura havia decidido fechar o local, no mesmo horário, para promover um show para ferroviários.

Desde o início do ano, após uma mobilização inesperada a favor da oposição, as autoridades bielorussas multiplicaram as operações contra os rivais de Lukashenko, há 26 anos no poder. Dois potenciais candidatos às eleições presidenciais de 9 de agosto foram detidos e levaram Tikhanovskaya, a esposa de um deles, a assumir o posto.

As tentativas de intimidação de Tikhanovskaya aumentaram nos últimos dias. Sua candidatura conseguiu unificar todos os críticos do chefe de Estado de 65 anos e reunir milhares de pessoas em seus comícios, algo que nunca havia acontecido.

Lukashenko denuncia um complô entre opositores e mercenários russos para cometer um "massacre", tentar desestabilizar o país e tomar o poder. Ele também acusa os ocidentais, principalmente os Estados Unidos, de conspiração. Nesta quinta, Lukashenko disse que não deixaria ninguém "incendiar" o centro de Minsk. Tikhanovskaya e o Kremlin qualificaram as acusações de "encenação".

Conflito com a Rússia

Em 26 anos de poder, Lukashenko jamais enfrentou grandes protestos como os dos últimos dias. O presidente está em conflito com a Rússia, sua grande aliada, a quem acusa de apoiar seus rivais, de querer tornar o país vassalo e de mobilizar o grupo de mercenários privado Wagner, considerado próximo do Kremlin, com o intuito de criar uma atmosfera caótica antes das eleições de domingo.

Na terça-feira (4), em um discurso na presença de políticos, representantes da sociedade civil e diplomatas, o chefe de Estado denunciou as "manobras" de Moscou. "A tentativa de organizar um massacre no centro de Minsk é evidente", afirmou, acusando a Rússia de "mentir" sobre um grupo de 33 "combatentes russos" do grupo Wagner detidos no país pelas forças bielorussas.

Moscou alegou que os homens estavam em trânsito para outros destinos. Segundo Lukashenko, a Rússia "mentiu" e "não contou tudo" sobre os presos. Esse grupo privado foi acusado durante muitos anos de enviar mercenários para lutar em áreas nas quais a Rússia não deseja intervir oficialmente.

"São mentiras: sobre Istambul, sobre a Venezuela, África e Líbia. Estas pessoas confessaram, foram enviadas especialmente à Belarus", afirmou Lukashenko aos convidados e aos membros do Parlamento. O presidente também afirmou que "outra unidade" foi enviada ao sul do país: "Devemos caçá-la nas florestas e prendê-la", disse.

A detenção dos suspeitos aumentou ainda mais a tensão com a Rússia, o aliado histórico mais próximo da Belarus.

"Estão 25 anos atrasados, nós estamos voltados para o futuro, não deixaremos o país para eles. A independência é cara, mas vale o esforço", disse Lukashenko.

Em seu discurso, o chefe de Estado atacou a adversária da oposição e duas outras mulheres que se uniram a ela – Veronika Tsepkalo, esposa de um opositor no exílio, e Maria Kolesnikova, diretora de campanha de Viktor Babaryko, um ex-banqueiro detido que queria se candidatar à eleição. "Essas pobres meninas (...) não entendem nada do que dizem, do que fazem", afirmou.

Em um país onde nunca houve um grande movimento de oposição, Tikhanovskaya conseguiu reunir grandes multidões em seus comícios, pedindo aos bielorrussos que não tivessem medo da repressão. Em maio, ela substituiu o marido, um conhecido blogueiro que foi preso quando começava a ganhar popularidade.

Em caso de vitória, a candidata prometeu a libertação "dos presos políticos", uma reforma constitucional e novas eleições. A oposição teme fraudes nos locais de votação abertos antecipadamente esta semana para os eleitores que não podem se deslocar no domingo.

Tikhanovskaya pediu que seus apoiadores votassem apenas no domingo, se possível no final do dia, para evitar manipulação. Ela também pediu eles usassem uma braçadeira branca para facilitar a contagem por observadores.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) não estará presente para observar a votação, porque não recebeu o convite oficial a tempo. As autoridades justificaram o pequeno número de observadores eleitorais pela epidemia de coronavírus.

Com informações da AFP

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