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Obstáculo para o Brexit continua apesar de vitória de Boris Johnson

Logotipo do(a) VEJA.com VEJA.com 13/12/2019 Julia Braun
Boris Johnson, no último dia de campanha, finca jo jardim de apoiador uma placa com seu slogan: 'Façamos o Brexit' - 11/12/2019 © Ben Stansall/AP Boris Johnson, no último dia de campanha, finca jo jardim de apoiador uma placa com seu slogan: 'Façamos o Brexit' - 11/12/2019

O partido Conservador do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, conquistou o maior número de votos nas eleições parlamentares realizadas no país nesta quinta-feira, 12, e o conservador foi reeleito como premiê. Sua vitória aumenta a expectativa de um Brexit em 31 de janeiro de 2020, mas não encerra o impasse sobre como deixar a União Europeia (UE) no qual o país está preso há mais de três anos.

Antes da apuração ser concluída, com cerca de 600 dos 650 postos no parlamento já definidos,o partido de Johnson atingiu a maioria com 326 assentos, diante de 196 do Partido Trabalhista. 

Nas eleições legislativas para o Parlamento Europeu de maio, quando o partido ainda estava sob o comando de Theresa May, os conservadores ficaram em quinto lugar entre as siglas mais votadas do Reino Unido, com apenas 8,8% dos votos – uma performance muito aquém da esperada para a legenda.

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Johnson foi eleito líder do Partido Conservador e, consequentemente, premiê em julho deste ano, prometendo o Brexit “custe o que custar”. Embora este homem de 55 anos com uma cabeleira loira revolta desperte muitas críticas por sua retórica populista, que lhe valeu a comparação com Donald Trump e uma falta de rigor que muitos avaliam com desconfiança, ele é um dos políticos mais populares do país.

Em seus primeiros meses no poder teve uma série de reveses: 21 deputados conservadores se rebelaram contra ele, que perdeu, moção após moção sobre Brexit, e foi obrigado a pedir um terceiro adiamento da saída do bloco europeu. Johnson teve de engolir sua declaração de que preferiria “estar morto em uma vala” a adotar essa medida.

Durante sua campanha eleitoral, Johnson prometeu colocar o acordo que negociou com os europeus para votação no Parlamento o quanto antes, de forma a  concretizar o Brexit em 31 de janeiro, custe o que custar. O conservador ainda garantiu que negociará um novo acordo comercial com a UE até o dia 31 de dezembro de 2020, quando termina o período de transição proposto pelos europeus para minimizar os danos do Brexit, e jura que não pedirá extensão desse prazo.

Porém, o labirinto em que o Reino Unido se prendeu é muito mais enigmático do que muitos previam, e a solução para o Brexit ainda pode demorar. Existe a possibilidade de novos obstáculos serem levantados no caminho dos conservadores até a linha final do divórcio.

“Eu suspeito que o Brexit consumirá a maior parte do oxigênio daqui para frente, assim como fez nos últimos três anos”, avalia Daniel Stevens, professor de política da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

Mesmo que Johnson consiga, de fato, concretizar a separação até o final de janeiro, ainda sobrarão muitas pontas soltas para serem aparadas. O Brexit deve dar início a meses, senão anos, de negociações de acordos comerciais entre os britânicos e os demais 27 países do bloco. Além disso, Londres ainda precisará fechar pactos com os países de fora do grupo, com os quais comercializa com base nas regras comuns da União Europeia.

“Ainda que o país deixe a UE em janeiro, o Brexit continuará a ser um problema por muitos anos”, afirma Christopher Stafford, professor de política britânica da Universidade de Nottingham. “Além disso, assim que o divórcio se torne realidade, muitas pessoas que apoiam Johnson podem ficar descontentes com os contratempos que surgirão e podem passar a criticá-lo”.

Os eleitores do Brexit

Diferente de seu principal adversário na corrida, Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista que atraiu votos dos eleitores anti-Brexit, Johnson foi eleito com grande apoio dos britânicos que desejam o fim da aliança entre o Reino Unido e os demais 27 países da União Europeia.

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“Os eleitores dos conservadores são tradicionalmente parte da classe média ou alta e do empresariado”, afirma o analista político Roger Mortimore, professor do King’s College de Londres. “Mas o Brexit mudou os padrões, e muitos eleitores da classe trabalhadora, que temem a imigração ou creem que ser britânico é diferente de ser europeu, se tornaram pró-Brexit”.

Johnson recebeu muitas críticas nos últimos seis meses pelas constantes derrotas sofridas no Parlamento e por sua personalidade pouco convencional. Sua falta de rigor foi denunciada por muitos também como uma predisposição às mentiras.

“A verdade importa?”, questionou a moderadora durante um debate eleitoral. “Acho que sim”, respondeu Johnson, arrancando risadas do público.

Corbyn colaborou para a construção da imagem negativa de Johnson, acusando seu adversário de omitir as consequências econômicas reais de seu acordo do Brexit com a União Europeia. O trabalhista garantiu, durante a campanha, ter provas de que o premiê “engana o povo deliberadamente”.

Ainda assim, Johnson é considerado atualmente o político mais popular do Partido Conservador. O premiê conseguiu atrair muitos eleitores que haviam abandonado a sigla após durante os contratempos enfrentados pelo governo anterior, da ex-primeira-ministra Theresa May.

Nas eleições legislativas para o Parlamento Europeu realizadas em maio, quando o partido ainda estava sob o comando de Theresa May, os conservadores ficaram em quinto lugar entre as siglas mais votadas do Reino Unido, com apenas 8,8% dos votos – uma performance muito aquém da esperada para a legenda. Já na eleição desta quinta, o partido conquistou xxx dos votos.

Escócia

No referendo do Brexit de 2016, 62% dos escoceses votaram contra o divórcio, mas a saída do bloco foi aprovada e, de repente, a Escócia se viu obrigada a se separar da União Europeia, mesmo contra a sua vontade.

O Partido Nacionalista Escocês (SNP) foi às eleições desta quinta prometendo ser uma resistência ao Partido Conservador. Sua líder, Nicola Sturgeon, fez campanha contra o Brexit e prometeu realizar um segundo referendo de independência do Reino Unido (o primeiro foi feito em 2014) se Johnson fosse eleito e cumprisse sua promessa de deixar a UE em 31 de janeiro.

Com a confirmação da vitória conservadora, a já complicada relação entre Londres e Edimburgo deve piorar nos próximos meses.

Carreira

“Bojo”, como Johnson também é chamado, foi prefeito de Londres e ministro das Relações Exteriores. O conservador, contudo, começou sua carreira como jornalista. Trabalhou no jornal Times of London até ser demitido em 1988, acusado de inventar uma declaração em uma de suas reportagens. Também atuou como correspondente do The Telegraph em Bruxelas, onde está a sede da União Europeia, de 1989 a 1994. Ele também mantém uma coluna nessa publicação.

Johnson ainda tem vários livros publicados – de obras de ficção a uma biografia do ex-primeiro-ministro Winston Churchill. Foi eleito para o Parlamento pelo Partido Conservador pela primeira vez em 2001. Em 2008, candidatou-se à prefeitura de Londres e protagonizou uma vitória surpreendente sobre seu adversário trabalhista, o então prefeito Ken Livingstone. Foi reeleito em 2012 e deixou o cargo em 2016 com bons índices de aprovação.

Em dois mandatos na prefeitura, Johnson se notabilizou por obras vistosas, que lhe garantiam espaço na mídia. Mas quase todas estavam destinadas a se tornar elefantes brancos – daí sua fama de resvalar na desonestidade e na inação.

Após Theresa May assumir o cargo de primeira-ministra, Johnson foi nomeado ministro de Relações Exteriores do Reino Unido. A indicação foi criticada por setores da imprensa e líderes estrangeiros por conta de seu histórico de comentários controversos sobre outros povos e culturas. Johnson renunciou ao cargo em julho do ano passado em protesto contra o acordo que May negociava com a União Europeia para o Brexit.

Divorciado duas vezes, agora mora em Downing Street com a namorada, Carrie Symonds, de 31 anos.

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