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Sob forte emoção e muitas homenagens, George Floyd é enterrado em Houston

Logotipo do(a) RFI RFI 09/06/2020 RFI

É o último adeus a George Floyd. Na cidade de Houston, sul dos Estados Unidos, centenas de pessoas se despediram do pai de família que se tornou o símbolo da luta antirracismo no mundo. Ele repousará ao lado da mãe, no cemitério Memorial Gardens em Pearland, no sul da cidade.

Cerca de 500 pessoas – entre familiares, ativistas, atletas e celebridades – foram convidados para a missa fúnebre na igreja Fountain of Praise de Houston, cidade onde Floyd cresceu. A cargo do sermão está o pastor Al Sharpton, figura histórica da luta dos direitos humanos nos Estados Unidos.

A maioria dos familiares decidiu comparecer vestindo branco. Muitos utilizam uma máscara com a frase "I can't breathe" ("eu não consigo respirar"), últimas palavras pronunciadas pela vítima durante a intervenção policial que tirou sua vida. Entre os participantes estão o prefeito de Houston, Sylvester Turner, e o ator americano Jamie Foxx. Segundo a mídia local, o campeão de boxe Floyd Mayweather bancou todos os custos da cerimônia.

A cerimônia começou às 11h locais (13h em Brasília), com transmissão pela internet e marcado por "demandas de justiça e de reformas sociais". "Vamos talvez chorar, ficar de luto, mas vamos encontrar reconforto e esperança", Mia K. Wright, uma das líderes da congregação da igreja.

Já os familiares, saudaram “Big George”, “Superman”, “o gigante meigo”, cujo tamanho – quase dois metros – não impediu a ação policial da qual foi vítima.

"Fico feliz que ele tem a homenagem que merece", afirmou Marcus Williams, morador de Houston. "Quero que a polícia pare de matar. Quero uma reforma do sistema para que justiça seja feita e que os homicídios cessem", reiterou.

Democratas marcam presença

© REUTERS - POOL
Em um vídeo exibido no início da cerimônia, o candidato democrata à presidência, Joe Biden, afirmou que "é hora da justiça racional nos Estados Unidos". "Não podemos mais ignorar o racismo que fere nossa alma", reiterou o ex-vice-presidente de Barack Obama.

Biden não participou do enterro por motivos de segurança. No entanto, se reuniu durante mais de uma hora com a família Floyd na segunda-feira (8) em Houston, cidade onde a vítima cresceu. "Por que, em nosso país, muitos americanos negros acordam de manhã sabendo que eles podem morrer simplesmente por estarem vivendo suas vidas?", pergunta o candidato democrata na gravação.

"Nenhuma criança deveria perguntar aquilo que tantas crianças negras tiveram que se perguntar por gerações: 'Por que, por que papai se foi?'", acrescentou o ex-vice-presidente Barack Obama.

Vários democratas discursaram na igreja lotada, dando um tom político ao funeral. "George Floyd mudou o mundo e nós vamos fazer com que ele o salve", afirmou o deputado do Texas na Câmara dos Representantes, Al Green.

Representante democrata de Houston no Congresso americano, Sheila Jackson Lee disse esperar que Floyd não tenha morrido em vão. Segundo ela, sua missão na vida foi "mobilizar as pessoas". "Que ninguém se sente até que não haja justiça", completou, sendo intensamente aplaudida.

Após o fim da missa, os participantes se dirigirão ao cemitério Memorial Gardens, em Pearland, sul de Houston, onde Floyd repousará ao lado da mãe.

Dois dias de homenagens

Depois de passar por Minneapolis, cidade onde Floyd vivia, e por Raeford, na Carolina do Norte, onde nasceu, seu corpo foi levado para o Texas. Durante dois dias, cerca de 6 mil pessoas compareceram à igreja Fountain of Praise para se despedir. Muitas pessoas se aglomeraram em torno do caixão, outras se ajoelhavam - um sinal de protesto contra a violência policial.

"Já basta. Qualquer pessoa que tenha filhos e que tenha coração pode sentir esta dor. Tem que haver mudanças. Todo o mundo deve ser tratado igual", disse Shiara DeLoach, moradora de Houston.

Já o presidente americano, Donald Trump, que condenou a morte de Floyd em declarações polêmicas, não fez nenhum pronunciamento sobre o enterro da vítima nesta terça-feira. Em um tuíte, o republicano duvidou da credibilidade de um homem de 75 anos ferido pela polícia no estado de Nova York, durante manifestações em memória a George Floyd.

"O manifestante empurrado pela polícia pode ser um agitador do Antifa", tuitou Trump, referindo-se ao movimento de esquerda que ele acusa de ter alimentado a violência nos Estados Unidos.

Protestos e reforma na polícia

A morte de Floyd resultou em uma onda de protestos em todo o mundo contra o racismo. Na França, a população vem saindo às ruas de várias cidades desde a semana passada. O trágico incidente nos Estados Unidos também levou governantes de vários países a repensarem reformas em suas polícias.

Em Washington, cerca de vinte parlamentares democratas liderados pela presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e pelo líder da minoria do Senado, Chuck Schumer, se ajoelharam em silêncio para homenagear Floyd na segunda-feira. Também anunciaram uma série de medidas para reformar suas forças de segurança para tentar acabar com o assassinato de homens negros durante operações policiais.

O anúncio foi feito depois que as autoridades de Minneapolis anunciaram no fim de semana que vão desmontar e reconstruir a polícia.

Acusado da morte de Floyd, o policial branco Derek Chauvin, compareceu ao tribunal na segunda-feira. A promotoria estabeleceu uma fiança de US$ 1 milhão, que provavelmente ele não conseguirá arrecadar. A próxima audiência será em 29 de junho.

Chauvin enfrenta acusações de assassinato em segundo e terceiro grau e homicídio involuntário, e pode ser condenado a até 40 anos de prisão. Os outros três policiais envolvidos, todos demitidos e presos, já compareceram ao tribunal na semana passada por acusações de cumplicidade na morte de Floyd, que foi preso por supostamente comprar cigarros com uma nota falsa de US$ 20.

(Com informações de agências)

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