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Mentirosos compulsivos: por que algumas pessoas não conseguem parar de mentir?

Logotipo do(a) Vix Vix 31/01/2018 Paulo Nobuo

homem mentiroso mentira 016 400x800 © PathDoc/Shutterstock homem mentiroso mentira 016 400x800

No dia a dia sempre contamos pequenas mentirinhas que, na grande parte das vezes, são inofensivas e até mesmo necessárias. Mas quando o hábito de inventar fatos se torna frequente e as histórias passam a ter impacto significativo e grave, pode resultar em complicações sociais e fazer com que uma pessoa se torne um mentiroso compulsivo.

Quando a mentira se torna uma compulsão

Contar mentiras regularmente não apenas resulta em problemas de relacionamento, mas também pode provocar alterações no cérebro. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Londres, Inglaterra, mentir com muita frequência cria mudanças cerebrais que fazem com que um indivíduo se “vicie” na estratégia.

mentira cruzar dedos 0817 400x800 © Cirilopoeta/iStock mentira cruzar dedos 0817 400x800

A pesquisa, publicada no site EurekAlert, aponta que é comum sentir desconforto, culpa e medo quando contamos uma mentira. Os sentimentos são involuntários e gerados por uma reação natural da amígdala, área do cérebro que pode regular determinada quantidade de histórias falsas que relatamos.

Quando a invenção de fatos passa a se tornar um hábito, a pessoa pode acabar comprometendo justamente esse “freio” do cérebro, que fica mais fraco e menos eficiente, aumentando os riscos de um indivíduo se transformar em um mentiroso compulsivo e perca, em maior ou menor nível, a consciência de seus atos.

mentira nariz grande 0217 400x800 © PathDoc/Shutterstock mentira nariz grande 0217 400x800

O trabalho científico mostrou que a resposta controladora da amígdala fica reduzida ao longo do tempo à medida em que as histórias falsas ficam maiores, levando a um ciclo vicioso em que pequenas mentirinhas “inocentes” se transformem em possíveis atos perigosos de desonestidade.

Outra indicação de que a mentira compulsiva está relacionada a fatores cerebrais pode ser notada em um estudo feito pela Universidade da Califórnia do Sul, EUA, que observou a mente dos mentirosos.

tedio historia mentira 0317 400x800 © durantelallera/shutterstock tedio historia mentira 0317 400x800

Os participantes do levantamento foram separados em 3 grupos: mentirosos compulsivos, sociopatas que não mentem de forma doentia e pessoas normais. Todos passaram por análises de ressonância magnética.

Os cientistas descobriram que os mentirosos compulsivos tinham 22% mais massa branca nas regiões pré-frontais, responsáveis por tomadas de decisão e julgamento, do que as pessoas normais. Os dados, obtidos com a avaliação de 180 voluntários, foram divulgados pela revista Science, mas não deixam claro se refletem a causa ou o efeito da mentira.

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