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Pandemia de coronavírus: o que você precisa saber para se proteger

Logotipo do(a) EL PAÍS EL PAÍS 30/04/2020 El País
© Foto: Getty

A Organização Mundial da Saúde declarou em 11 de março que o surto de coronavírus é uma “pandemia global”. Tedros Ghebreyesus, o diretor-geral da organização, afirmou em entrevista coletiva que o alto número de casos fora da China torna necessário mudar a definição de pandemia. “Estamos preocupados com os níveis alarmantes de propagação e com os níveis alarmantes de inação”. No Brasil, a situação evolui a cada dia, assim como as recomendações oficiais à população. Veja o que mais é importante saber sobre o coronavírus:


O que fazer para evitar o contágio?

Lavar as mãos com frequência, com água e sabão. “Álcool gel funciona também. E como nem sempre você tem uma pia por perto, então é bom ter um álcool gel na mesa de trabalho, principalmente se você trabalha com atendimento ao público”, explica a Izabel Marcílio, médica epidemiologista do núcleo de vigilância epidemiológica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Tossir cobrindo a boca e o nariz com o cotovelo flexionado, evitar tocar olhos, nariz e boca, evitar aglomerações e manter distância das demais pessoas, especialmente das que estão com tosse ou febre.

É verdade que devo mudar a forma de cumprimentar as pessoas?

Sim. Segundo o Ministério da Saúde, deve-se evitar abraços, apertos de mãos e beijos no rosto. Assim, você se protege e também a sua família de doenças respiratórias, incluindo o coronavírus.

Devo evitar viajar? E se tiver voltado de viagem da Europa, por exemplo?

“Evitar viagens é prudente", diz Izabel. Para o caso de quem voltou de locais com muitos casos da doença, a recomendação da OMS é o monitoramento dos sintomas por 14 dias e a medição de temperatura duas vezes por dia. O Ministério da Saúde recomendeu que as pessoas que voltarem do exterior devem ficar ao menos 7 dias em casa. Em caso de sintomas como falta de ar, febre ou tosse, deve procurar uma unidade médica.

Se eu tiver que viajar, devo viajar usando máscara?

“O contágio em um avião pode acontecer, mas já percebemos que com esse vírus o mais importante é o contato, conversar, ter contato e estar próximo a alguém infectado. Esse contato próximo é mais perigoso que o contato só respiratório, de só estar num mesmo ambiente", diz Izabel. “Então não tem por que usar máscara se você não está doente. Quem tem que usar é a pessoa que está doente, é ela quem transmite”.

Devo evitar usar o transporte público?

Se não é possível evitar de todo, procure não usar nos horários de pico.

Devo trabalhar de casa?

O home office é uma recomendação.

Se tiver de ir ao local de trabalho, qual deve ser o procedimento?

Se ainda não há possibilidade de trabalhar de casa, evite reuniões numerosas. A Organização Mundial da Saúde também divulgou uma cartilha específica para ambientes laborais. Valem as mesmas regras de higiene: limpar frequentemente com desinfetante mesas, teclados, telefones, celulares e outros utensílios de trabalho. Tantos os locais públicos como privados devem oferecer:

- local para lavar a mão frequentemente

- dispenser com álcool gel

- ter toalhas de papel descartável

- aumentar a frequência de limpeza de corrimões, elevadores e outros lugares de contato intenso com álcool gel ou solução com água sanitária (9 partes de água para uma de água sanitária)

Quem está com sintomas como tosse seca e febre baixa, deve ser encorajado a ir para casa (se para trabalhar de casa ou descansar, a decisão é da empresa).

E em casa, como devo fazer com a limpeza?

De acordo com o MInistério da Saúde, se houver álcool gel, ele também deve ser usado para limpar objetos como telefones, teclados. Para o resto da limpeza doméstica, recomenda-se a utilização dos produtos usuais, dando preferência para o uso da água sanitária (misture num balde 9 partes de água e uma parte de água sanitária) para desinfetar superfícies. Para as roupas, limpeza normal, a não ser que haja infectados na residência (ler mais abaixo). 

Devo comprar remédios ou comida em quantidade?

Num cenário de alta transmissão, que o especialistas dizem não estar longe no caso brasileiro, recomenda-se ter mais produtos de higiene (incluindo fraldas, no caso das crianças), tudo para evitar locais de grande circulação. Para doentes crônicos, recomenda-se ter receitas de mais longo prazo do que o habitual para medicamentos. 

Quais são os sintomas do coronavírus?

Os sintomas são de uma gripe comum. Pode ter febre ou não, tosse e dificuldade de respirar. Alguns pacientes relatam dor, congestão nasal, dor de garganta e diarreia. O sintoma mais grave, nos casos sintomáticos, é a falta de ar. Quem sentir falta de ar, deve procurar uma unidade médica. Quem sentir apenas coriza, apenas moleza no corpo ou apenas febre pode ligar para o número 136 e escutar orientações médicas.

Quais são os fatores de risco para a doença?

Se teve contato direto com alguém que teve a doença confirmada, se viajou para um país com muitos casos confirmados, se, por exemplo, tiver um colega de trabalho com a doença confirmada.

Quantas pessoas um doente confirmado pode contaminar?

De acordo com Izabel, cada doente pode contaminar em média 2,5 pessoas.

Como saber se eu estive em contato direto com algum doente confirmado?

Se considera contato direto quando a distância entre as duas pessoa é de menos de dois metros durante um tempo contínuo.

E quais são os grupos de maior risco?

No total, 2% das pessoas que contraíram a doença morreram, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. O índice, porém, tem variado de país. “O grupo de risco são as pessoas mais idosas, com doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes ou doenças obstrutivas crônicas”, diz o professor Helder Nakaya, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

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O que eu devo fazer se suspeitar que estou doente?

Se você apresentar os sintomas compatíveis com a doença (febre, tosse, dificuldade para respirar) e tiver tido contato com uma pessoa com caso confirmado, deve procurar uma unidade de saúde

O que fazer se eu moro em um local precário e divido o quarto com muitas pessoas, por exemplo?

A recomendação de isolamento segue sendo a mesma. “Esse é um problema que a gente já enfrenta, porque a recomendação é sempre se alimentar bem, utilizar o medicamento que dá menos efeito colateral, fazer exercícios e quem vive em condições precárias já não tem como seguir essas recomendações”, diz Izabel.

Os planos de saúde privados são obrigados a cobrir o tratamento da doença?

Sim. O tratamento para a doença já é garantido aos pacientes com casos confirmados de infecção, mas a cobertura depende da segmentação dos planos de cada paciente.


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