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Pode a ciência ajudar a evitar a formação dos grandes furacões?

Logótipo de Expresso Expresso 08/09/2019 Raquel Albuquerque

Teorias para combater ciclones têm caído por terra. Mas os cientistas sonham com uma solução

© DR

Há já algumas décadas que se questiona se a ciência e a tecnologia podem ou não ajudar a travar ou mesmo evitar a formação dos ciclones tropicais, como o furacão “Dorian” que esta semana devastou as Bahamas com ventos a chegar aos 295 quilómetros por hora. O tema voltou a ganhar espaço após Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, ter alegadamente questionado as autoridades sobre a possibilidade de usar bombas nucleares para travar furacões. O tema já tem 60 anos. “Não seria preciso dizê-lo, mas é uma má ideia”, diz a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos.

“A maior dificuldade ao usar explosivos para modificar furacões é a quantidade de energia necessária”, explica esta agência americana, em resposta à pergunta que é lançada todos os anos nesta altura. “Um furacão totalmente desenvolvido cria tanta energia quanto uma bomba nuclear de 10 megatoneladas a explodir a cada 20 minutos.” Além desse impacto, a explosão provocaria uma enorme onda de choque e chuva radioativa.

Ainda que afastada esta possibilidade, os cientistas têm continuado a procurar hipóteses de usar a ciência para evitar a formação dos furacões, considerados um dos tipos de desastres naturais mais devastadores e com maior impacto em termos humanos e financeiros.

Entre as décadas de 60 e 80, os Estados Unidos chegaram a lançar um projeto de investigação, chamado “Stormfury”, que consistiu numa forma de introduzir iodeto de prata nas nuvens, com o objetivo de enfraquecer os ciclones tropicais. Depois de quatro testes num intervalo de oito dias, os cientistas chegaram a achar que a força dos ventos tinha sido reduzida em 30%, mas acabaram por concluir que a ideia não funcionava.

Nos anos mais recentes, o foco mudou-se do ar para os oceanos. Em 2011, surgiu a ideia de arrefecer a temperatura da superfície da água do mar, que é uma das condições favoráveis à formação de furacões. Achou-se que bastaria desenvolver uma enorme bomba de água, que funcionaria com a energia das ondas, e que puxaria para o fundo a água mais quente da superfície. Pouco tempo depois, concluiu-se que a tecnologia requeria “mais investigação” e mais financiamento.

Solução longínqua

Mais recentemente, em março de 2018, a revista “Forbes” escreveu sobre como a ciência nos pode ‘salvar’ dos furacões, com base num artigo publicado pelo SINTEF, um centro de investigação norueguês que propõe combater a formação de ciclones tropicais com a mesma tecnologia usada para evitar a formação de gelo nos fiordes. Numa conduta perfurada, colocada debaixo de água e com ar comprimido, são produzidas bolhas de ar que sobem dentro de água, levando a que está mais fria para a superfície.

“Ao trazer esta água para cima, usando uma cortina de bolhas, a temperatura à superfície ficará abaixo dos 26,5°C, cortando a fonte de energia do furacão. Isto irá permitir prevenir que os furacões atinjam intensidades mais perigosas”, afirmou à “Forbes” Grim Eidnes, investigador do SINTEF. Os cientistas defendem até que esta tecnologia poderia ser instalada nas plataformas petrolíferas do Golfo do México, à semelhança do que é feito na Escandinávia. Um dos maiores problemas? O seu custo. Embora o número de mortos e o impacto económico da devastação provocada pelos furacões seja muito alta todos anos, o valor necessário para financiar esta tecnologia é bastante elevado. Além disso, alterar as condições do oceano levanta muitas dúvidas até pelo efeito significativo na vida marinha.

“Todas as sugestões partilham um mesmo ponto: falham na avaliação do tamanho e poder dos ciclones tropicais”, conclui a NOAA. “Talvez um dia, quando for possível viajar quase à velocidade da luz até às estrelas, tenhamos energia suficiente para uma intervenção de força bruta na dinâmica dos furacões.”


Veja também: Mais de um milhão assiste à missa campal que o papa presidiu em Madagáscar (SIC Notícias)

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