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Gasolina, gasóleo ou elétrico. Qual é mais barato em 100 km? E a 10 anos?

Logótipo de ECO.PT ECO.PT 03/02/2019 Paulo Moutinho
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Vai comprar carro? Mas que motor escolher?Matos Fernandes, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, não tem dúvidas de qual a melhor opção. Não falou sequer na gasolina, atirando ao diesel, avisando que talvez não faça sentido para os portugueses continuarem a optar por estes motores tendo em conta que deverão entrar em desuso. E foi mais longe, afirmando que os elétricos são mesmo a melhor escolha, não só em termos de ambiente, mas também para a carteira das famílias.

“Hoje é muito evidente que quem comprar um carro [de motor] diesel muito provavelmente daqui a quatro ou cinco anos não vai ter grande valor na sua troca”, disse Matos Fernandes, em entrevista à Antena 1 e Jornal de Negócios. “Na próxima década não vai fazer sentido comprar um carro a gasóleo porque já serão muito próximo os valores de aquisição de um carro elétrico e, se for carregado em casa, o preço do quilómetro fica a 15%” do valor gasto com um automóvel a gasóleo.

Será a poupança assim tão grande? O ECO foi fazer as contas aos custos associados a cada um dos motores para perceber, afinal, qual a solução que menos pesa no bolso das famílias. Para isso, recorreu a um modelo que utiliza os vários motores, ou seja, a gasolina, a gasóleo, híbrido, mas também existe na versão totalmente elétrica. Em Portugal, o Renault Clio é o mais vendido, mas para efeitos de comparabilidade foi utilizado o Golf, da Volkswagen.

Elétrico arrasa… todos

Quanto custa cada quilómetro a gasolina, diesel e com energia elétrica? A opção a gasolina é claramente a mais cara de todas, não só porque o 1.5 TSI (motor com a cilindrada mais próxima da versão a diesel) consome 5 litros a cada 100 quilómetros, como o valor do litro deste combustível é o mais caro. Considerando os postos mais baratos em Lisboa, percorrer uma centena de quilómetros custa 6,57 euros, sendo que ao preço normal dos postos de referência a fatura sobe para 7,45 euros.

A gasolina perde claramente para o diesel que, por sua vez, é arrasado pela versão elétrica, o e-Golf. Os 4 litros de consumo médio anunciados pela marca passam uma fatura de 5,25 euros em 100 quilómetros no postos mais baratos (5,64 euros nos de referência), valor que compara com os 1,43 euros exigidos para percorrer a mesma distância com a versão elétrica — custa mais do que o afirmado pelo ministro, mas ainda assim é um quarto do valor do diesel.

Estes 1,43 euros gastos em cada 100 quilómetros com um carro elétrico têm em conta o valor dos kWh (com a proporção do termo fixo para o período de carregamento) na Galp Energia, no período em vazio de uma tarifa bi-horária, com uma potência contratada de 6,9 kVa. Fora de vazio, o custo de carregar 14 kWh (o suficiente para 100 quilómetros), o custo dispara para 2,92 euros, sendo que num contrato simples, o valor ascende a 2,37 euros.

Problema é comprar o elétrico

Nem gasolina, nem diesel, chegam perto da poupança permitida pelo elétrico. Contudo, existe uma versão GTE do Golf, que é um híbrido a gasolina. Aí, as contas mudam um pouco de figura: 100 quilómetros exigem apenas 2,49 euros (2,68 euros nos postos de referência), já que o consumo médio deste modelo é de apenas 1,8 litros. E a VW não tem no Golf a mesma lógica (motor elétrico associado a um de combustão) para os diesel. Se tivesse, os 100 km custariam cerca de 2,35 euros. Ainda assim, é um custo 65% superior ao do elétrico.

Matos Fernandes, que utiliza um Nissan Leaf, 100% elétrico, nas suas deslocações oficiais, tem as contas bem feitas no que respeita à poupança que os carros elétricos permitem em comparação com outras motorizações, nomeadamente as tradicionais gasolina e gasóleo — isto desde que se cumpram as “regras” de carregamento, ou seja, que se carregue sempre nos períodos mais baratos. Mas seguir o conselho do ministro tem um custo à cabeça.

A comparação realizada pelo ECO teve apenas em conta o custo de percorrer 100 quilómetros, mas para ficar mais completa, procurou extrapolar os valores gastos ao longo dos anos — apenas em combustível, deixando manutenção, seguros e IUC de fora da equação — para perceber se o valor extra pedido pelos elétricos faz sentido, financeiramente falando. Apesar de Matos Fernandes afirmar que os elétricos já têm valores mais próximos dos diesel, ainda há uma diferença que não é despiciente.

Preços dos VW Golf em análise:

Golf 1.5 TSI R-Line DSG – 31.711€ Golf 1.6 TDI R-Line DSG – 33.660€ Golf GTE – 46.085€ e-Golf – 42.336€

O GTE, que é aquele que acaba por conseguir aproximar-se dos custos do elétrico para percorrer os 100 quilómetros, tem um preço muito superior ao e-Golf, logo o elétrico ganha. Mas face às versões a gasolina e diesel — as escolhidas são das mais equipadas e com caixa automática para se aproximarem do que se obtém com a versão elétrica –, as contas são mais complicadas de fazer. É que a versão a gasolina custa menos 10.600 euros do que o elétrico. E a diesel poupa 8.600 euros.

Perante a diferença de custo por quilómetro, ou 100 quilómetros, e o valor de aquisição, quantos anos são, então, precisos para compensar o elétrico face aos motores a combustão? O resultado poderá diferir noutras comparações — se se comparar um Renault Clio com um Zoe, embora neste caso o sistema seja de leasing das baterias, não a compra como acontece na VW –, mas fazendo 15 mil quilómetros por ano, só ao final de uma década se paga o extra desembolsado à cabeça.

Mais valor, menos valor… do usado

Dez anos é muito tempo para um automóvel, mas em Portugal são muitos os veículos que “vivem” bem mais tempo do que isso. A idade média do parque automóvel é elevada, rondando os 12 a 13 anos. Ou seja, na comparação que se deve fazer antes de decidir qual a opção mais acertada, além do custo de utilização, do tempo necessário para “pagar” o extra exigido por um carro elétrico, deve ter-se em consideração o valor que esse mesmo bem terá no mercado de usados.

Esta é a parte mais subjetiva da comparação realizada pelo ECO. Existem taxas de desvalorização, é certo, sendo que essas acabam por encolher o valor dos veículos praticamente na mesma proporção. Ou seja, se à cabeça é mais caro, valerá mais no final, ainda que com a nuance, até agora, de os diesel acabarem por perder um pouco menos valor. São motores considerados mais fiáveis, logo, mesmo como muitos anos e quilómetros acabam por atrair mais consumidores, o que eleva o seu preço.

Daqui a dez anos, os automóveis terão, fazendo a média de 15 mil quilómetros ao ano, 150 mil quilómetros. Para o carro a gasolina será uma utilização normal, mas para o diesel não. Habitualmente fazem muito mais quilómetros, o que poderá atenuar a quebra de valor. No entanto, com a pressão para acabar com o gasóleo, daqui a uma década poder-se-á estar perante um veículo com menos mercado, logo menor valor.

No caso do elétrico, os quilómetros rodados poderão suscitar dúvidas sobre o estado das baterias — maioria das marcas dá garantia de oito anos –, sendo que a pesar no valor estará também o facto de, entretanto, surgirem no mercado soluções mais interessantes para os consumidores. Entre elas estão, nomeadamente, o lançamento de veículos que apresentem valores de autonomia maiores, bem como tempos de carregamento inferiores.


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