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Seis meses de "Operação Transparência" em Angola

Logótipo de dw.com dw.com 5 horas atrás Borralho Ndomba (Luanda)

Operação para combater o tráfico de diamantes e a imigração ilegal foi lançada há meio ano em Angola. Ativistas dizem que não houve grandes mudanças na Lunda Norte, onde foram repatriados mais de 400 mil estrangeiros.

Provided by Deutsche Welle © Reuters/G. Paravicini Provided by Deutsche Welle

Foi a 25 de setembro de 2018 que o governo angolano deu início ao combate compulsivo do tráfico de diamantes e imigração ilegal com o lançamento da "Operação Transparência". Agora, a operação será alargada à costa marítima. O objetivo é combater a pesca ilegal e também o tráfico de pessoas, diz António Bernardo, comissário da Polícia Nacional e porta-voz da "Operação Transparência".

"Os preparativos para a extensão da operação começaram em 18 de fevereiro, tendo sido definidas quatro zonas de atuação ao largo da costa . A área A compreenderá as de Cabinda e Soyo; a B as de Zeto, Luanda e Cabo Ledo. Na zona C estaremos no Porto Amboim, no Lobito, Baía Farta e na Lucira. Na zona D, passaremos por Moçâmedes, Tômbwa até à Baía dos Tigres", precisou António Bernardo.

Operação "trouxe fome" à Lunda Norte

Na Lunda Norte, populares afirmam que a ação do executivo não trouxe mudanças. À DW África, o ativista dos direitos humanos Jordan Mwakambinza afirma que a operação aumentou o índice de desemprego na província.

"A Operação Transparência trouxe também a fome às comunidades, porque anteriormente todos os jovens tinham o garimpo como a única fonte de sobrevivência. Agora, a juventude está toda nos bairros sem trabalho e não tem onde ir procurar o pão de cada dia", lamenta.

Segundo Jordan Mwakambinza, o negócio clandestino de diamantes continua e no seu comando, denuncia, estão oficiais do exército e da Polícia Nacional. "Só há garimpo para os oficiais que têm seus grupos lá nas matas. E a população é obrigada a pagar um valor para trabalhar no garimpo. A Operação Transparência não trouxe nada aqui de melhor ", critica.

Sobas detidos

A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) divulgou, no princípio deste mês, um estudo sobre os impactos da exploração de diamantes nas Lundas Norte e Sul que revela que os populares que vivem ao redor destas zonas de exploração continuam a ser vítimas de violações dos direitos humanos.

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Nas últimas semanas, cerca de 20 membros das autoridades tradicionais ficaram detidos durante duas semanas por reivindicarem contra a empresa de exploração diamantífera. O soba Cafula diz que a operação devia chegar também às grandes companhias que exploram o diamante."Vivemos de pesca e caça. Mas quando começam a explorar diamantes, ficamos limitados, morrendo de fome. Somos obrigados a deslocarmo-nos de um sítio para o outro porque a terra é do governo", conta.

Por isso, o soba pede que, "antes de licenciar uma empresa", o governo saiba onde vai pôr a população. "As empresas quando vão explorar diamantes não querem saber do povo porque sabem que pagam quota. Foi o que aconteceu na Lunda Norte, os sobas foram presos porque estavam com fome. Se formos à caça, entendem que estamos a ir garimpar e logo te matam", sublinha.

Excessos da polícia

Jordan Mwakambinza denuncia excessos da polícia contra estrangeiros e cidadãos nacionais. O ativista diz que muitos são detidos e torturados, simplesmente por não exibirem o bilhete angolano. Foi o que aconteceu, este sábado (23.03), na Vila de Cafunfo, província da Lunda Norte. "Não se admite e a polícia não foi orientada a prender um cidadão e torturar o mesmo por não ter um documento. O que eu sei é que, quando for encontrado um estrangeiro ilegal nestas localidades, deve ser levado e repatriado com dignidade e não é para ser torturado", diz.

Denúncias deste tipo continuam a não ser respondidas pelas autoridades. Segundo o coordenador da "Operação Transparência", Pedro Sebastião, que é também o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, há ainda vários estrangeiros a tentarem de qualquer forma violar as fronteiras do país.

"Nas regiões do Soyo, Ambriz, Cabinda e aqui mesmo em Luanda, na zona de Cacuaco, temos assistido todos os dias a tentativas de desembarque de cidadãos, que pretendem fixar-se no nosso território de forma menos correta, menos legal, e portanto exige de nós uma resposta à altura que o país recomenda", justificou.

As autoridades angolanas garantem que no âmbito da "Operação Transparência", 416.496 imigrantes abandonaram o país de forma "voluntária", 35.784 foram repatriados administrativamente e 842 transferidos para Luanda, para que possam, mais tarde, ser repatriados para os países de origem. Além dos repatriamentos e expulsões, as autoridades angolanas encerraram 159 cooperativas e 289 "lojas" que se dedicavam a compra ilícita de diamantes, tendo sido apreendidas elevadas somas monetárias, não especificadas.

por:content_author: Borralho Ndomba (Luanda)

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