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“O Espaço é hoje parte da nossa vida diária”

Logótipo de Expresso Expresso 23/03/2019 Virgílio Azevedo

Chiara Manfletti, presidente da Agência Espacial Portuguesa, disse ao Expresso que Portugal quer fazer parte de uma realidade maior e que é preciso abrir o país ao mundo. “Não se trata apenas de desenvolver atividades espaciais para Portugal, mas de trazer pessoas de fora e também desenvolver atividades para o resto do mundo”

Expresso © FOTO Nuno Botelho Expresso

A Agência Espacial Portuguesa foi constituída em Ponta Delgada no início da semana e nesta sexta-feira, em Lisboa, a primeira assembleia-geral nomeou para presidente a italiana Chiara Manfletti, conselheira da Agência Espacial Europeia (ESA). A cientista vai ser responsável pela execução da estratégia nacional para o sector aprovada pelo Governo e diz ao Expresso que acumula as duas funções e será “uma ponte entre a Portugal Space e a ESA”. Mas tem muitas tarefas pela frente, desde o apoio técnico ao projeto da base espacial de Santa Maria (Açores) e ao desenvolvimento de pequenos satélites e lançadores de nova geração, à representação de Portugal em organizações e programas internacionais ou à captação de financiamentos.

Ficou surpreendida por ter sido convidada para primeira presidente da Portugal Space?

Sim, claro [risos].

Não acha estranho que a responsável máxima da Agência Espacial Portuguesa seja estrangeira?

Bom, não sei como os portugueses vão reagir, mas para mim é uma forte indicação de que Portugal quer fazer parte de uma realidade maior e que é preciso abrir o país ao mundo. Não se trata apenas de desenvolver atividades espaciais para Portugal, mas de trazer pessoas de fora e também desenvolver atividades para o resto do mundo.

Vai viver em Portugal?

Parcialmente. Terei um apartamento em Lisboa. Na verdade, já vivo em vários lugares. No trabalho estou baseada em Paris, na sede da ESA, mas tenho casa na Alemanha e os meus pais estão em Itália. Fiz a licenciatura e o doutoramento no Centro Aeroespacial Alemão (DLR), acabei por viver 13 anos no país e tenho dupla nacionalidade italiana/alemã. Em Itália frequentei uma escola americana, depois estudei no Reino Unido e França, antes de ir para a Alemanha.

Que línguas fala?

Italiano, inglês, francês e alemão. E irei falar português [risos].

Que funções tem na ESA?

Sou conselheira de programas do diretor-geral, Johann-Dietrich Wörner. Dou-lhe apoio na gestão dos programas em curso e na preparação de futuras atividades a desenvolver pela agência.

Mas vai deixar a agência?

Não, vou estar uma parte do meu tempo no polo da Portugal Space em Lisboa e outra na sede da ESA em Paris. Serei uma espécie de ponte entre as duas agências.

A Portugal Space é a primeira agência da Europa a funcionar como um “ESA-Hub” para garantir a coerência entre atividades nacionais e programas europeus?

Precisamente. Vamos trabalhar juntos nas atividades que tiverem um contexto internacional, e quanto mais coordenadas forem mais produtivos serão os recursos investidos. E quanto maior a troca de ideias, maiores os benefícios para todos. Portugal acredita fortemente na Europa e a ESA também, por isso há muitas razões para trabalharmos juntos.

Todos os programas nacionais do Espaço serão integrados na Portugal Space, que é a executora da estratégia nacional para o sector. Quais são as prioridades?

A primeira é pôr a agência a funcionar, ligando-a às pessoas e entidades do sector: universidades, escolas, centros de investigação, empresas, instituições. E ligando-a também ao mundo exterior. Todas as tarefas da Portugal Space são extremamente importantes. Uma agência moderna não tem de fazer tudo, tem de ser mais uma mediadora e dinamizadora que junte pessoas e organizações em torno dos mesmos objetivos, promova programas, investimentos, negócios, conhecimento.

O sector espacial está a mudar muito rapidamente?

Sim, ainda está na sua infância. A corrida ao espaço começou com duas superpotências (EUA e União Soviética) que pretendiam demonstrar uma à outra o seu poder. Hoje a corrida é diferente, envolve cada vez mais países e está relacionada com infraestruturas ao serviço da nossa vida diária, onde não ficamos apenas fascinados com o que é descoberto no Espaço mas descemos à Terra sob a forma de informação, dados, tecnologias usadas em missões científicas e de exploração, telecomunicações e atividades de observação do nosso planeta. O Espaço tornou-se uma parte da nossa vida do dia a dia, mesmo se por vezes as pessoas não o reconhecem.

Como vê a atual democratização do acesso ao Espaço a países como Portugal, com a emergência dos pequenos lançadores e satélites?

É uma coisa maravilhosa. Na ESA chamamos-lhe Espaço 4.0. A fase inicial foi a 1.0, a 2.0 a corrida ao Espaço, a 3.0 a colaboração, como acontece na Estação Espacial Internacional, e a 4.0 está a emergir agora. É a era do Novo Espaço, do envolvimento crescente das empresas privadas com as suas próprias fontes de financiamento, da transformação digital, da participação de muitos atores e até do público, que tem aumentado. Portugal quer ganhar capacidades promovendo o desenvolvimento de empresas e startups e usando a grande quantidade de dados (big data) das constelações de satélites de observação da Terra. A futura base espacial a construir na ilha de Santa Maria, nos Açores, é parte desta grande visão.

Vai nascer um laboratório de observação da Terra, o ESA-Lab@Azores. É uma atividade promissora?

Sem dúvida, pode fornecer serviços a uma grande diversidade de áreas, como o ambiente, alterações climáticas, energia, segurança marítima, tráfego aéreo ou gestão das cidades.


Veja também: Algarve: melhor destino de caminhadas da Europa

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