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Planos de produção de combustíveis fósseis põem em causa metas climáticas, alerta ONU

Logótipo de Expresso Expresso 21/10/2021 Carla Tomás

EUA, Rússia, China e Noruega estão entre os 15 países que preveem ter em 2030 mais do dobro da extração de petróleo, gás e carvão do que os níveis previstos no objetivo de limitação do aumento das temperaturas médias mundiais, pondo em causa os compromissos assinados no Acordo de Paris, avisa um relatório da Organização das Nações Unidas divulgado esta quarta-feira

© Kevin Frayer/Getty Images

Os 15 maiores produtores mundiais de combustíveis fósseis — Estados Unidos, Austrália, Brasil, Canadá, China, Alemanha, Índia, Indonésia, México, Noruega, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido — planeiam produzir mais 110% de energia a partir de combustíveis fósseis em 2030 do que a consistente com os objetivos de se se limitar o aumento das temperaturas médias mundiais a não mais de 1,5ºC até final do século (comparativamente às da época industrial) ou 45% acima do necessário se se ficar pelo objetivo de mais 2ºC. Estes planos põem em causa os compromissos assumidos no Acordo de Paris, em 2015, e deixam pouco otimismo para as negociações previstas para a conferência do clima, que se realiza em Glasgow (Escócia, Reino Unido) no início de novembro.

Era suposto que na Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de Glasgow (conhecida como COP26) a ambição fosse aumentada, já que vários destes países têm propagado o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050 e de reduzir as emissões de gases de efeito de estufa até 2030.

Contudo, o “Production Gap Report 2021” — relatório que analisa as discrepâncias entre a produção planeada de combustíveis fósseis por país e a possibilidade de estas irem ao encontro de limitar o aumento de temperaturas a 1,5°C ou 2°C — divulgado esta quarta-feira, mostra que este não parece ser o caminho que estão a seguir.

“É urgente que os financiadores públicos e privados, incluindo a banca, mudem os seus apoios do carvão para energias renováveis e promovam a descarbonização do sector da energia”, sublinhou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na apresentação do relatório. E lembrou que o caminho para um futuro só com energias limpas “ainda é longo”. Desde finais de 2019, as atividades ligadas aos combustíveis fósseis já receberam cerca de 300 mil milhões de dólares (€267,6 mil milhões) em apoios diretos dos países (muito mais do que as energias renováveis). Isto apesar do apoio público internacional oriundo de bancos e instituições de desenvolvimento multilateral dos países do G20 ter diminuído.

Elaborado pelo Programa Ambiental da ONU (conhecido pela sigla UNEP em inglês) — com a colaboração de 80 investigadores e académicos de várias universidades e instituições, entre as quais o Stockholm Environment Institute, a liderar — o relatório aponta para a projeção de um aumento na produção de petróleo de 57%, de 71% no gás e de 240% no carvão até 2030. A produção de gás é a que mais tende a aumentar entre 2020 e 2040.

“Ainda há tempo para conseguir limitar a subida média das temperaturas a 1,5°C, mas a janela de oportunidade está a fechar-se rapidamente”, frisou Inger Andersen, diretora-executiva da UNEP, na apresentação do relatório. E lançou o repto para que os governos “deem um passo em frente para acabar com esta diferença e assegurem uma transição justa”, na COP26, em Glasgow.

O relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC - órgão científico consultivo da ONU) já alertou para os riscos que as subidas das temperaturas acima de 1,5ºC acarretam para a humanidade e como “é inequívoco” que a atividade humana é responsável pela crise climática. Para impedir este aquecimento é preciso cortar globalmente 45% das emissões de gases de efeito de estufa (como o CO2) até 2030.

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