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Angola comemora independência entre restrições e o clamor das ruas

Logótipo de Notícias ao Minuto Notícias ao Minuto 08/11/2020 Lusa

Angola celebra, na quarta-feira, 45 anos de Independência, mas esta será uma "Dipanda" marcada pelas restrições da pandemia, que obrigaram a cancelar o ato central das comemorações, e a promessa de uma manifestação que espera mobilizar centenas de jovens.

Angola celebra, na quarta-feira, 45 anos de Independência, mas esta será uma "Dipanda" marcada pelas restrições da pandemia, que obrigaram a cancelar o ato central das comemorações, e a promessa de uma manifestação que espera mobilizar centenas de jovens. © Reuters Angola celebra, na quarta-feira, 45 anos de Independência, mas esta será uma "Dipanda" marcada pelas restrições da pandemia, que obrigaram a cancelar o ato central das comemorações, e a promessa de uma manifestação que espera mobilizar centenas de jovens.

A proclamação da Independência foi feita a 11 de novembro de 1975,  em três locais diferentes de norte a sul do país, sinal da divisão que já na altura se sentia em Angola e que iria marcar o país nas três décadas seguintes 

Em Luanda, era já noite cerrada quando o líder do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola, António Agostinho Neto, que se tornaria o primeiro presidente do país fez o discurso proclamatório, às 00:00 no Largo da Independência.

A sul, o dirigente da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), Jonas Savimbi, fazia declaração idêntica no Huambo (na altura, Nova Lisboa) e no norte, o chefe da FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola), Holden Roberto, escolhe a cidade portuária de Ambriz para assinalar o fim do colonialismo português e o nascimento de um novo país.

Os três líderes estão já mortos, mas os seus partidos perduram e continuam a marcar a política angolana. O MPLA conquistou o poder e não o voltou a perder, a UNITA, seu adversário feroz na guerra civil que dilacerou o país ao longo de 27 anos, é a principal força da oposição e o FNLA, apesar de praticamente desaparecido e consumido por convulsões internas, assegura ainda um representante no Parlamento.

2020 seria um ano de grandes festejos, com hino encomendado especialmente para o efeito (e que se tornou mais uma fonte de críticas contra o executivo angolano devido à despesa), mas o surgimento dos primeiros casos de covid-19, em março, trocou as voltas ao governo.

O país fechou fronteiras logo no final desse mês e afundou-se numa profunda depressão económica e social, com os efeitos da pandemia a agravar um ciclo recessivo que se arrasta desde 2016 e vai repetir-se este ano.

Ao longo dos meses, enquanto apertava o torno sanitário, o governo procurava equilibrar as medidas com algum alívio económico para as empresas e para os cidadãos, sem conseguir contudo travar o descontentamento, que foi subindo de tom graças à combinação explosiva da subida de preços e do desemprego que afeta 56,4% dos jovens angolanos.

Decisões erráticas, com nomeações e exonerações sucessivas, falta de transparência nos processos de contratação publica e recuperação de ativos, casos de corrupção entre dirigentes do MPLA, acusações de justiça seletiva, geraram desencanto e desconfiança em relação ao presidente João Lourenço, que perdeu este ano o estado de graça que lhe tinha sido concedido desde que sucedeu, em 2017, a José Eduardo dos Santos, que liderou o destino de Angola durante 38 anos.

Depois do incumprimento das promessas de emprego, também a expetativa de realização das primeiras eleições autárquicas em 2020 foi gorada, com as forças da oposição e movimentos cívicos a criticarem fortemente a decisão.

A contestação já fez sair à rua várias marchas, com a última, realizada no dia 24 de outubro a ser fortemente reprimida pela polícia e culminar com a detenção de uma centena de manifestantes, incluindo jornalistas, que foram julgados sumariamente e permaneceram presos uma semana antes de serem libertados. 

Os ativistas, sobretudo jovens, garantem que vão continuar a fazer das ruas de Luanda o seu escritório enquanto não virem atendidas as suas exigências -- marcação de data das eleições autárquicas, melhoria das condições de vida, demissão do chefe de gabinete de Joao Lourenço, Edeltrudes Costa, alegadamente envolvido em enriquecimento ilícito -- e convocaram nova manifestação para o feriado do Dia da Independência, desafiando o governo que limita os ajuntamentos na rua a cinco pessoas, como medida de combate à covid-19.

Entretanto, a tensão politica intensificou-se com acusações mútuas de desestabilização entre o o MPLA, há quase tanto tempo no poder como os anos de independência de Angola, e a sua rival, UNITA.

45 anos depois, Angola independente celebra um aniversário em tons sombrios, sem festas, nem multidões, nem grandes motivos para celebrações.

O país, que assenta no petróleo a sua principal fonte de receitas, conta com uma taxa de pobreza de 41%, uma taxa de desemprego de 34% e deve chegar ao final do ano com uma contração de 2,8% do PIB, segundo as últimas estimativas do governo.

A chama de esperança que animou os angolanos com a chegada de João Lourenço ao poder foi rapidamente consumida e tarda em encontrar novo alento face a um futuro que o vírus veio tornar ainda mais incerto.

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