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Cotrim Figueiredo avisa Rio que não conte com Iniciativa Liberal para "fazer jogo da esquerda"

Logótipo de SIC Notícias SIC Notícias 25/05/2021 Lusa

"Quando o PSD se presta a várias iniciativas do PS (...) está a fazer o jogo dessa mesma esquerda".

© JOÃO RELVAS

O presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, avisou esta terça-feira o PSD que não conte com o seu partido para "fazer o jogo da esquerda", embora tenha dito estar disponível para colocar o seu crescimento "ao serviço da mudança".

Na intervenção de encerramento da primeira manhã de trabalhos da convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), onde falarão ainda os líderes do CDS-PP, Chega e PSD ao longo desta terça e quarta-feira, João Cotrim Figueiredo deixou também fortes críticas ao Governo, que acusou de tornar o Estado "refém dos interesses do partido" e até de semear o medo de "dar a cara, de criticar".

O presidente e deputado da IL avisou que não contem com o seu partido para um discurso de desvalorização das pessoas em relação ao Estado, "sobretudo quando esse discurso vem do espaço não socialista".

"Quando Rui Rio disse no parlamento há poucos dias que até era melhor que o Novo Banco tivesse ficado na órbita do Estado, tem de ter consciência que está a fazer o discurso do PCP e do BE que tudo querem nacionalizar", criticou.

Cotrim Figueiredo apontou outros exemplos de iniciativas do PSD como a aprovação, ao lado do PS, do fim dos debates quinzenais, o entendimento sobre as eleições para as CCDR, a aprovação do Orçamento Suplementar no ano passado ou a limitação das candidaturas independentes nas autárquicas.

"Quando o PSD se presta a várias iniciativas do PS (...) está a fazer o jogo dessa mesma esquerda, para isso não contem connosco", avisou.

O presidente do IL deixou ainda um 'recado' ao Chega, embora sem mencionar o nome do partido liderado por André Ventura.

"Não contem connosco também para enveredar por populismos, para promover homens providenciais e aceitar visões autoritárias e divisivas, nunca apoiaremos visões não liberais da sociedade", disse, recebendo o aplauso mais expressivo da sala durante a sua intervenção.

Ainda assim, defendendo que o crescimento da IL "sem populismos, é um fenómeno político", João Cotrim Figueiredo manifestou abertura para uma solução alternativa ao espaço não socialista.

"Mas contem connosco, porque queremos pôr esta força crescente ao serviço da mudança que todos queremos, para desatar estes nós que nos prendem, para discutir ideias antes de discutir pessoas, para discutir políticas antes de discutir cargos", afirmou.

Na sua intervenção, de mais de meia hora, Cotrim Figueiredo identificou vários nós que considera 'amarrarem' o país, entre eles a estagnação económica e o desalento social, pelos quais responsabilizou o atual Governo.

"Esta sociedade, que está adormecida e receosa, tem muito a ver com termos um Estado que está refém dos interesses de um único partido. O PS tem tomado conta do aparelho do Estado, na sociedade é comum a sensação de que é fundamental ter o cartão do partido para subir na vida", afirmou.

"É a sensação de que o PS em tudo manda", criticou, apontando como exemplos as substituições feitas pelo Governo no Tribunal de Contas, Procuradoria-Geral da República ou Conselho de Finanças Públicas.

Para Cotrim Figueiredo, "ainda mais preocupante é que se começa a sentir com mais frequência medo, medo de dar a cara, de criticar, de integrar listas", dizendo que a IL teve essa experiência nos Açores e nas autárquicas.

"Isto é um motivo de enorme preocupação", alertou.

Na sua intervenção, o deputado apontou ainda uma "cultura da desresponsabilização" no país, dizendo que "ninguém é responsável por nada em Portugal", e reiterou as suas críticas à forma como o executivo socialista tem gerido os dossiês da TAP e do Novo Banco.

Sobre a comissão de inquérito que decorre atualmente no parlamento sobre esta instituição bancária, Cotrim Figueiredo lamentou que só haja atenção quando "alguns inenarráveis devedores aparecem a fazer pouco" dos deputados e dos contribuintes.

"Aparecem na agenda porque interessa ao BE, interessa que haja uma atitude anticapitalista generalizada e isso não podemos permitir", afirmou, deixando uma saudação às "dezenas de milhares de empresários que são gente séria e são heróis".

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