Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Israel separa a população com um “passaporte verde”: só vacinados têm acesso a restaurantes, hotéis ou shoppings que vão reabrir

Logótipo de Expresso Expresso 19/02/2021 Conceição Antunes

O país que lidera no mundo a vacinação à covid-19 prepara o terceiro desconfinamento, mas enfrenta resistência dos cidadãos a tomar o imunizante. E decidiu que só os que ostentarem um “crachá verde” comprovando que foram vacinados têm acesso às atividades económicas e de lazer que vão reabrir

© CORINNA KERN/Reuters

A partir de domingo, 21 de fevereiro, Israel vai iniciar o seu terceiro desconfinamento, reabrindo o comércio, museus ou bibliotecas, a que se seguirão restaurantes e bares a 1 de março. Após vários meses de encerramento, os shoppings, hotéis, piscinas, atividades culturais e de lazer voltam a funcionar no país, embora mantendo estritas regras sanitárias, de distanciamento e uso obrigatório de máscara.

Mas nem todas as pessoas ficam com acesso livre a estas atividades - apenas os que ostentarem um “crachá verde”, um novo sistema que é uma espécie de passaporte comprovando que estão totalmente vacinadas, ou recuperadas da infeção, poderão frequentar as diversas outras atividades públicas que vão reabrir.

Cerca de metade da população em Israel já recebeu pelo menos uma dose de vacina, e o país está ansioso por saír do seu terceiro bloqueio e regressar à atividade económica sem riscos de contágios, o que foi decidido esta semana pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

"Quem não for vacinado ficará para trás", avisa o ministro da Saúde

Mas Israel tem enfrentado um movimento 'anti-vacina' em algumas faixas da população, em que se incluem judeus e árabes - para aliciar as pessoas a deslocarem-se aos pontos de vacinação, o Governo tem recorrido à oferta gratuita de comida e bebidas, além de DJ.

“Ser vacinado é um dever moral, é parte da nossa responsabilidade mútua ”, tem frisado o ministro israelita da Saúde, Yuli Edelstein. Face à reabertura de atividades que se prepara no país e à resistência que se têm verificado junto dos cidadãos, o ministro tem repetido várias vezes o aviso: "Quem não for vacinado, vai ficar para trás".

Com o novo sistema de “crachá verde”, para frequentarem restaurantes, hotéis, pavilhões desportivos, salas de espetáculos ou conferências, os clientes e participantes têm de levar consigo um certificado de vacinação com código QR. Estas atividades também vão estar disponíveis a quem foi anteriormente infetado com covid-19 e ficou com anticorpos após recuperar, mediante o respetivo comprovativo.

A iniciativa de Israel de separar os cidadãos no acesso a atividades públicas em tempos de pandemia, bloqueando o acesso aos que não querem ser vacinados (decisão que é voluntária) levanta uma série de questões legais e éticas, envolvendo temas delicados como segurança pública, discriminação, livre escolha e privacidade, conforme lembra o The New York Times.

Uma especialista em direito e ética da saúde da Universidade de Haifa, Maya Peled Raz, defende que deve haver alguns limites às liberdades pessoais em prol de um bem maior. E frisa que as empresas não podem obrigar os funcionários a vacinarem-se, mas podem decidir empregar apenas trabalhadores vacinados, de forma a não prejudicarem os seus negócios.

“Pode envolver alguns danos aos direitos individuais, mas nem todos são proibidos se forem bem equilibrados e legítimos para atingir um objetivo digno”, salienta a especialista em direito e ética da Saúde. Relativamente ao acesso às atividades de lazer só ficar livre a quem tomou o imunizante “a escolha é de cada um": "se estiver vacinado pode entrar, mas se não o fizer não podemos deixar que coloque outras pessoas em perigo".

Se Israel é um dos primeiros países no mundo a dar um passo concreto a lidar com estas novas questões abertas pela covid-19, também outras nações se preparam para restringir as viagens internacionais a portadores de 'passaportes verdes' que comprovem estar vacinados. Esta solução também não deixa de ser descriminatória em relação a pessoas de países mais pobres que têm menos acesso ao imunizante, pelo que muita tinta promete ainda correr sobre as questões éticas associadas às vacinas e à separação entre cidadãos de 'primeira' e de 'segunda' no denominado 'novo normal'.

AdChoices
AdChoices

Mais do Expresso

image beaconimage beaconimage beacon