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Paul Éluard: o surrealista francês que foi o grande “poeta do amor”

Logótipo de Expresso Expresso 22/05/2022 Pedro Mexia

Nesta antologia, intitulada "O Homem Inaabado", surge o que Paul Éluard escreveu entre 1916 e 1936. A edição, agora lançada pela editora Exclamação, conta com tradução e notas de Regina Guimarães

"Retrato de Paul Éluard" (1929), de Salvador Dali. Óleo sobre tela © Expresso "Retrato de Paul Éluard" (1929), de Salvador Dali. Óleo sobre tela

Paul Éluard foi um grande “poeta do amor”, conceito hoje já quase anacrónico, um poeta dedicado, escreve Regina Guimarães, “às facetas irregulares do pensamento amoroso” e à descrição das “múltiplas roupagens do desejo”. E a verdade é que muitos desses poemas dos anos 1920 e 30 (esta antologia abarca o período 1916-1936) continuam memoráveis, mais do que a obra tardia, patriótica, empenhada e ocasionalmente embaraçosa, como a “Ode a Estaline”.

Os poemas de amor de Éluard são poemas de solenidade e alegria, de esperança e desesperança, de anáforas e metáforas, dirigidos a uma mulher “única” e “viva”, como se o amor fosse mais forte do que a morte: “De pé sobre as minhas pálpebras/ Com os seus cabelos nos meus,/ Ela tem a forma das minhas mãos/ Ela tem a cor dos meus olhos,/ E soçobra na minha sombra/ Como uma pedra no céu.” A faculdade de ver coexiste nos poemas com a opacidade do visível, a vida imediata com a distância, o conhecimento com a ignorância, e até os títulos exprimem essas contradições, tornando manifesto um programa. Regina Guimarães valoriza em Éluard tanto as “necessidades da vida” como as “consequências dos sonhos”, mas o seu interesse estende-se dos temas às formas, o que explica um elevado número de sequências, fragmentos e poemas em prosa, oníricos ou quase-narrativos, enigmáticos como um quadro de De Chirico. Lembrando o poeta amoroso, mais do que o comunista heroico ou que o surrealista que escreveu “a terra é azul como uma laranja”, esta antologia também se podia chamar, como num título de 1917, “o dever e a inquietude”, de tal modo vocação e angústia se confundem: “O que te digo não me muda/ Não vou do maior ao mais pequeno/ Olha-me/ A perspectiva não conta para mim/ Guardo o meu lugar/ E tu não podes afastar-te”. / Pedro Mexia

Para ler este artigo na íntegra clique aqui

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